Finanças

Planos de saúde lucram R$ 8,5 bilhões no primeiro semestre

Prévia da ANS mostra que resultados estão abaixo dos R$ 11 bilhões de 2025

Agência O Globo - 12/08/2026
Planos de saúde lucram R$ 8,5 bilhões no primeiro semestre
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Um grupo que reúne 214 operadoras de grande e médio porte, responsáveis por 85% das receitas e beneficiários de planos de saúde no país, registrou um lucro de R$ 8,5 bilhões no primeiro semestre deste ano, conforme antecipado pela coluna de Míriam Leitão, do Globo.

O dado apresentado em um webinar realizado na segunda-feira pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é visto como uma prévia do resultado consolidado do período.

O desempenho, considerado positivo pela agência reguladora, no entanto, ficou aquém dos R$ 11 bilhões registrados já de forma consolidada entre janeiro e junho do ano passado, embora tenha superado os R$ 7,4 bilhões de 2024.

— Em 2026, nós não estamos observando o mesmo volume de lucro acumulado que ocorreu em 2025, um ano muito relevante em resultados — afirmou Washington Alves, gerente de Habilitação e Estudos de Mercado da ANS. — Porém, já notamos um número, ao menos em termos absolutos, bem maior que em 2024. Ou seja, continuamos numa tendência muito positiva de lucro.

Comparação com o mesmo período de 2025

O recuo em comparação ao primeiro semestre de 2025 decorre do fato de uma grande operadora de saúde, cujo nome não foi mencionado, ter realizado um provisionamento voluntário significativo em fevereiro, impactando tanto o resultado financeiro do setor quanto a chamada taxa de sinistralidade, que representa o percentual do total arrecadado pelas operadoras com mensalidades utilizado em despesas de saúde.

As provisões técnicas foram feitas pela SulAmérica, totalizando R$ 2,7 bilhões, devido à transferência de reservas da holding para a operadora de saúde, segundo informações do Banco Safra.

O resultado divulgado pela ANS considera as informações econômico-financeiras prestadas mensalmente por pouco mais de 30% das quase 700 operadoras em atividade no país. O desempenho consolidado, com os dados do setor como um todo, é divulgado trimestralmente. O prazo para recebimento das informações referentes ao segundo trimestre pela agência se estende até 15 de agosto.

Em junho, o segmento de saúde suplementar totalizou 53,14 milhões de beneficiários em planos de saúde, demonstrando estabilidade em relação ao mês anterior, quando havia 53,06 milhões. As operadoras que forneceram os dados considerados nessa prévia têm 43,9 milhões da totalidade dos usuários em suas carteiras.

Segundo as informações fornecidas por esse grupo, as receitas totais no período somaram R$ 173,2 bilhões, sendo 89,4% desse total decorrente de operações de saúde, enquanto as despesas chegaram a R$ 161,5 bilhões. Houve ainda R$ 3,2 bilhões em impostos e participações.

Sinistralidade

A taxa de sinistralidade no período ficou em 82,2%, acima da registrada no resultado consolidado do primeiro semestre de 2025, que foi de 81,3%, mas recuou em comparação a 2024, que teve 83,4%. Também neste caso, influenciou o provisionamento de mensalidades feito pela SulAmérica.

Alves observou que esse efeito é claro ao analisarmos o dado mensal sobre mensalidades, que caiu para R$ 22,9 bilhões em fevereiro, retornando ao patamar de R$ 26 bilhões a partir do mês seguinte.