Finanças

AGU acionará Justiça para retiradas do Discord do ar, diz Jorge Messias

Declarações foram feitas após Janja da Silva pedir bloqueio da plataforma em caso de automutilação de adolescente.

Agência O Globo - 07/08/2026
AGU acionará Justiça para retiradas do Discord do ar, diz Jorge Messias
Jorge Messias - Foto: Reprodução / Instagram

O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que a Advocacia-Geral da União (AGU) irá ingressar na Justiça com uma ação civil pública para pedir a responsabilização do Discord e a retirada da plataforma do ar no Brasil. A medida foi anunciada durante a cerimônia de sanção do projeto de lei que trata de medidas de enfrentamento e repressão à violência sexual contra crianças e adolescentes, no Palácio do Planalto.

Durante sua breve fala, Messias solicita que o Ministério da Justiça encaminhe ainda nesta quinta-feira à AGU as informações levantadas sobre o caso de uma adolescente de 13 anos que foi causada a se automutilar ao vivo na plataforma.

— Diante das informações prestadas pelo nosso secretário, solicito ao ministro da Justiça que imediatamente encaminhe formalmente todas essas informações à AGU para que possamos manejar uma ação civil pública contra a plataforma, solicitando a responsabilização imediata e a retirada de sua utilização pela sociedade brasileira, já que ela não tem compromisso com a legislação brasileira e não protege crianças e adolescentes — afirmou Messias.

A fala da AGU ocorreu após um apelo da primeira-dama Janja da Silva, que defendeu o bloqueio da plataforma no país ao discutir o caso da adolescente.

— Eu só queria perguntar ao ministro da AGU quais são os instrumentos que temos. precisamos retirar imediatamente o Discord do ar. Devemos buscar instrumentos para que isso aconteça, ministro. Não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilando ao vivo na internet e morrendo. Não consigo admitir um país desse. Precisamos encontrar os instrumentos legais para atuar junto ao Judiciário e tirar essa rede horrorosa do ar — declarou Janja.

A primeira-dama destacou que o caso não é um episódio isolado e que a plataforma também é utilizada para a prática de crimes contra mulheres.

Na sequência, o secretário de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, afirmou que a pasta acordos é uma "falha sistêmica" nos mecanismos de proteção do Discord. Segundo ele, a plataforma não possuía verificação de idade no servidor onde ocorreu a transmissão.

— Não houve verificação de idade em nenhum dos servidores onde estava comemorando a live, que durou mais de 40 minutos, sendo transmitida para um grupo de mais de 200 pessoas naquele momento — destacado.

O caso relatado por Janja foi revelado pelo Profissão Repórter, da TV Globo, em maio de 2025. A reportagem mostrou uma adolescente sendo provocada por um homem a fazer cortes nas próprias pernas durante uma transmissão ao vivo no Discord. O suspeito foi posteriormente identificado pela investigação da Polícia Civil e preso em abril do ano passado. De acordo com a investigação, ele também seria suspeito de participação no planejamento do assassinato de um homem em situação de rua. À época, a defesa negou as acusações.

Também presente no evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que o avanço dos crimes digitais exige respostas mais rápidas do poder público e defende limites para o uso das plataformas.

— A luta contra o crime digital precisa de mais rapidez. Tudo acontece em segundo lugar e, quando você pensa em combater uma coisa, você já tem outra. Há limites. Esse é o exercício da democracia plena. Precisamos saber que existem limites, e o limite é não ferir a liberdade do outro. Uma criança de 13 anos não tem força para agir sozinha — afirmou o presidente.

O Projeto de Lei sancionado hoje pelo presidente Lula estabelece medidas para combater e punir a violência sexual contra crianças e adolescentes, incluindo crimes no ambiente digital e com uso de inteligência artificial.

Confira alguns pontos do projeto:

Maior rigor na proteção de crimes sexuais contra crianças e adolescentes, desestimulando a prática desses crimes.

Melhorar a capacidade de investigação e repressão de crimes digitais, utilizando novas tecnologias e métodos.

Proteção mais eficaz para as vítimas, garantindo atendimento psicológico e psicossocial.

Aumento da responsabilidade dos agressores, que deverá arcar com os custos do tratamento das vítimas.

Fortalecimento do sistema de justiça ao tratar esses crimes como hediondos, implicando penas mais severas e menos benefícios penais para os condenados.