Finanças
Inadimplência de aluguel no Rio de Janeiro cai para 3,49% e atinge o menor patamar desde 2023, aponta estudo
Apesar da queda, o indicador permaneceu acima da média nacional, que ficou em 3,20% no mês
A inadimplência do aluguel no Rio de Janeiro caiu para 3,49% em junho, o menor patamar desde 2023, quando a Superlógica passou a divulgar o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL). Apesar da queda, o indicador permaneceu acima da média nacional, que ficou em 3,20% no mês.
Em relação a maio (3,92%), a taxa no Rio recuou 0,43 ponto percentual. Na comparação com junho do ano passado (4,09%), a redução foi de 0,60 ponto percentual. Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, destaca a sequência de quedas observada nos últimos meses.
— O que chama atenção ao observar a inadimplência no Rio de Janeiro não é apenas o número de junho, mas a constância da queda nos últimos meses, o que indica um comportamento mais saudável do mercado de locação na região. Ainda assim, seguimos atentos, porque pressões inflacionárias e altas de juros podem reverter rapidamente esse movimento.
Nordeste apresenta maior inadimplência
Entre as regiões do país, o Nordeste segue com a maior taxa de inadimplência do aluguel, de 5,15%, mesmo após queda de 0,24% em relação a maio. O Norte aparece em seguida, com 4,30%, queda de 0,08 ponto percentual. O Centro-Oeste foi a única região a registrar alta, passando de 2,85% em maio para 3% em junho.
Já o Sudeste teve redução de 0,19 ponto percentual e fechou o período com taxa de 2,96%. O Sul manteve o menor índice do país, de 2,71%, apesar de subir 0,04 ponto percentual em relação ao mês anterior.
No Sudeste, os imóveis comerciais registraram a maior taxa de inadimplência em junho, de 3,90%, após recuo de 0,26 ponto percentual em relação a maio. As casas aparecem na sequência, com 3,28%, também em queda frente aos 3,62% registrados no mês anterior. Já os apartamentos apresentaram o menor índice entre os tipos de imóvel, de 2,02% em junho, ante 2,27% em maio.
Inadimplência por faixa de preço
No cenário nacional, o levantamento mostra que, no geral, quase todas as faixas de preço registraram queda em junho. A exceção foi a dos imóveis comerciais com aluguel entre R$ 5 mil e R$ 8 mil, cuja taxa subiu 0,11 ponto percentual, para 3,90%.
Entre os imóveis comerciais, os aluguéis de até R$ 1 mil concentraram a maior taxa de inadimplência, de 7,40%, apesar da queda de 0,20% em relação a maio. Entre os imóveis residenciais, essa mesma faixa de valor também registrou o maior índice da categoria, de 6,27%.
— Os aluguéis mais baixos, em ambos os casos, acabam sendo impactados pela sensibilidade econômica das micro e pequenas empresas, que enfrentam desafios financeiros nesse início de jornada, e das famílias de menor renda em detrimento ao custo de vida — explica Gonçalves.
Os aluguéis acima de R$ 13 mil ocuparam a segunda posição no ranking de maior inadimplência, com taxas de 4,63% entre os imóveis comerciais e de 5,42% entre os residenciais. Apesar disso, ambos os registraram queda em relação a maio: de 0,27 ponto percentual e 0,74 ponto percentual, respectivamente.
— Essa faixa [acima de R$ 13 mil] costuma concentrar um perfil de locatários formado por empreendedores, comerciantes e empresários. Um público com renda familiar em geral três vezes maior que o aluguel, mas exposto a uma pressão real de carga tributária, giro mais fraco da economia e crédito caro. Enquanto esse cenário persistir, deve puxar essa taxa de forma significativa — analisa Gonçalves.
Já as menores taxas de inadimplência no período foram registradas entre os imóveis residenciais com aluguel de R$ 3 mil a R$ 5 mil, com 1,68%, e entre os imóveis comerciais com valores de R$ 2 mil a R$ 3 mil, com 3,36%.
Na análise por tipo de imóvel, a inadimplência recuou nos três segmentos em junho. Os imóveis comerciais mantiveram a maior taxa, de 4,19%, mesmo após queda de 0,20 ponto percentual em relação a maio (4,39%). Nas casas, o índice caiu de 3,69% para 3,45%. Já os apartamentos registraram a menor taxa, de 2,16%, ante 2,35% no mês anterior.
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