Finanças
Tarifaço: produtos brasileiros considerados importantes para a pauta americana foram preservados. Entenda
Levantamento mostra que, enquanto setores como café, combustíveis e aeronaves escaparam das taxações, maior parte das exportações de madeira e de açúcar está sujeita a 37,5%
Desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, ampliou sua ofensiva tarifária, exportar para o mercado americano tornou-se mais complexo. No caso brasileiro, que é o segundo país mais taxado do mundo, a situação varia dependendo do produto e da investigação à qual está submetido.
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O mundo de Trump é dividido em tarifas:
Novo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) revela que, enquanto segmentos como café, combustíveis e aeronaves escaparam das sobretaxas, outros, como madeira e açúcar, estão sujeitos a uma tarifa elevada de 37,5%.
A alíquota mais alta é resultado da soma entre a tarifa de 25% - imposta na investigação - e a sobretaxa de 12,5% aplicada a países que falham em combater o trabalho forçado.
Os setores mais afetados
O setor de madeira e seus produtos é um dos mais expostos à sobretaxa de 37,5%. Outros 8,2% dos produtos de madeira estão submetidos às tarifas da Seção 232, um mecanismo criado durante o primeiro governo Trump, cujo objetivo é a alegação de segurança nacional, e que continua a incidir sobre alguns produtos considerados estratégicos.
O ramo de açúcares e seus derivados também foi fortemente atingido. Cerca de 76,9% do que os EUA importaram desses produtos brasileiros agora estão sujeitos à tarifa de 37,5%, enquanto os 23,1% restantes pagarão apenas 25%. Nenhum ficou isento.
China é o país mais taxado
O comércio de tabaco e de armas e munições também foi duramente afetado, com 100% do comércio com os EUA migrando para a tarifa máxima. Situação semelhante ocorre com papel e cartão, que agora tem 99,7% das importações americanas na faixa de 37,5%.
No segmento de obras de pedra e materiais semelhantes, o impacto foi dividido. Quase metade (47,8%) do setor pagará a sobretaxa de 12,5%, enquanto 46,3% estão sujeitas à tarifa de 37,5%. Apenas 5,9% dos produtos escaparam das medidas.
Entre os setores industriais, os químicos orgânicos aparecem entre os mais atingidos, com 53,7% das vendas enquadradas na tarifa de 37,5%, e instrumentos de óptica e médico-cirúrgicos, dos quais 80,2% passaram para essa mesma faixa.
Os setores isentos
Produtos brasileiros considerados importantes para a pauta americana foram preservados. Combustíveis, aeronaves e café estão integralmente isentos das tarifas. No caso das carnes, 90,5% das exportações escaparam das sobretaxas, assim como 95,1% das preparações de frutas e hortaliças e 98,8% das preparações de carnes e pescados.
A lista de isenções reúne 471 produtos em vinte grandes categorias de exceções.
Setores em que os EUA preferem adotar a estratégia de protecionismo continuam sujeitos às tarifas da Seção 232, uma investigação mais antiga aberta pelo Departamento de Comércio americano.
É o caso de veículos automóveis, em que 97,1% das importações com origem no Brasil estão enquadradas nesse regime; alumínio e suas obras (95,3%); obras de ferro ou aço (94,7%); ferro fundido, ferro e aço (58,8%); e máquinas e instrumentos mecânicos, em que 56,9% permanecem sujeitos às sobretaxas setoriais.
Apesar do tarifaço, a maior parte das exportações ficou isenta.
Embora o tarifaço tenha sido implementado, a maior parte do comércio bilateral acabou preservada. Segundo a Amcham, 52,9% das importações americanas de produtos brasileiros - o equivalente a US$ 22,3 bilhões - estão livres das taxas, o que mostra que o impacto é mais concentrado.
UE fala em 'surpresa negativa' a tarifaço:
Outros US$ 10,7 bilhões (25,3%) serão tributados em 37,5%, enquanto US$ 7,4 bilhões (17,5%) permanecem enquadrados nas tarifas da Seção 232, que já incidiam sobre produtos como aço e alumínio. A parcela atingida pelos 12,5% soma US$ 1,5 bilhão (3,7%), e apenas US$ 300 milhões (0,7%) pagarão somente a alíquota de 25%.
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