Finanças

Ideia de que juros altos sempre beneficiam o mercado financeiro não se comprova, diz Galípolo

Presidente do BC diz que aumento dos investimentos em IA

Agência O Globo - 24/07/2026
Ideia de que juros altos sempre beneficiam o mercado financeiro não se comprova, diz Galípolo
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo , afirmou que a ideia de que juros altos sempre beneficiam o mercado financeiro "não se comprova nem do ponto de vista empírico, nem do ponto de vista lógico". Ele ainda classificou como "desinformação" as críticas de que o mercado envia projeções infladas ao Boletim Focus para pressão pela manutenção dos juros elevados em benefício próprio.

— A ideia de que taxas de juros são benéficas para todos os participantes, ou para os participantes do mercado financeiro, não se comprova nem do ponto de vista empírico, nem do ponto de vista lógico.

Durante o painel na Expert XP , evento realizado em São Paulo, Galípolo destacou que o BC tem ampliado as fontes de informação utilizadas nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Ele possui que, mesmo fora do mercado financeiro, as projeções não são necessariamente mais baixas, citando o relatório Firmus , que reúne expectativas econômicas das empresas para os próximos anos.

— Essa crítica muitas vezes provém do entendimento de que membros do mercado que respondem ao Focus podem ter alguma intenção de induzir ou influenciar a política do mercado. Curiosamente, o que se diz é que, foram ouvidos os membros fora do mercado financeiro, provavelmente as projeções eram mais otimistas. Isso não é verdade — afirmou.

IA tende a gerar choque inflacionário

Em consonância com o que a ex-secretária do Tesouro americana Janet Yellen declarou no mesmo evento, Galípolo afirmou que a inteligência artificial tende a causar um choque inflacionário no curto prazo, devido ao aumento dos investimentos globais em tecnologia e infraestrutura. Esse movimento eleva a demanda e pode inicialmente iniciar os preços.

Além disso, questionado sobre a ampliação do acesso ao crédito no país, Galípolo comentou que, neste momento, a maior parte do endividamento das famílias está concentrada em linhas sem garantia. Após a pandemia, segundo o presidente do BC, houve um aumento global no uso do cartão de crédito, com uma tendência ainda maior no Brasil em resposta ao avanço da inclusão financeira.

No caso brasileiro, segundo ele, muitos consumidores migraram de linhas de crédito mais baratas para opções mais caras, como o rotativo do cartão. Este, porém, é um tipo de dívida pouco sensível à política monetária. Assim, mesmo com as mudanças na taxa básica de juros, o impacto para o consumidor é limitado, uma vez que as taxas cobradas são extremamente altas:

— Essa é uma dívida um pouco sensível à política monetária, por isso ela é até mais fácil de separar. Quando você olha para os níveis das taxas de juros pagas, ela está pagando 15% ao mês, não ao ano.