Finanças

'Vamos seguir melhorando o fiscal custe o que custar', diz ministro da Fazenda

Durigan reforçou compromisso com as metas e disse que o mercado 'exagera' ao atribuir pressão inflacionária ao crescimento do crédito

Agência O Globo - 24/07/2026
'Vamos seguir melhorando o fiscal custe o que custar', diz ministro da Fazenda
O ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Reprodução

O ministro da Fazenda, Dario Durigan , afirmou nesta sexta-feira que o governo continuará a melhorar o quadro das contas públicas do país “custe o que custar”. Durigan defendeu que o arcabouço fiscal está funcionando e citou o bloqueio de R$ 23,7 bilhões do Orçamento, anunciado no primeiro semestre, como exemplo de controle de gastos, impulsionado pelo aumento das despesas com o BPC e a Previdência.

Durante o painel de abertura da Expert XP , em São Paulo, Durigan declarou que o governo apresentará até 31 de agosto uma proposta de Orçamento para o próximo ano. Segundo ele, o texto vai prever os programas sociais, que não serão ampliados sem espaço orçamentário.

— Vamos seguir melhorando o custo fiscal o que custar [...] O compromisso que eu posso deixar estipulado aqui é com a trajetória que a gente mesmo está projetando no futuro. Nas projeções do Tesouro, a gente tem uma estabilização da dívida.

Impacto da guerra

O ministro avaliou que o mercado exagera ao prever a expansão do crédito a pressão inflacionária. Para ele, neste momento, o aumento dos preços está diretamente relacionado ao cenário internacional conturbado, especialmente a guerra entre os Estados Unidos e o Irã.

— Eu acho que tem um exagero nesse argumento. Eu reconheço que toda a discussão fiscal, inclusive o fiscal que importa subsídio , linha de crédito, ele embarca na discussão. Mas este ano o que está fazendo aumentar a pressão inflacionária é a guerra do Irã.

Ele continua:

— Querer dizer que o governo, que está fazendo bloqueio do Orçamento, cumprindo com as metas e com toda a responsabilidade, pondo e tirando o subsídio, usando receita adicional para pagar a conta, se comprometendo com a meta oficial… Não estamos fazendo um ano eleitoral para criar problemas no futuro. E não é isso que está gerando pressão inflacionária.

Questionado sobre as “apostas”, Durigan expressou preocupação, confirmando também a dependência de alguns setores dos recursos provenientes de contratos com casas de apostas, mencionando a Série A do Campeonato Brasileiro como exemplo.

O ministro defendeu que as apostas sejam enquadradas de forma semelhante ao cigarro, com restrições à publicidade e medidas para reduzir o número de apostadores. Lembrou o decreto publicado pela prefeitura do Rio de Janeiro , que veda propaganda de plataformas de apostas em áreas externas da cidade, e a exclusão de que beneficiários do BPC e do Bolsa Família apostem.