Finanças
Divórcio do século: bilionário da tecnologia é condenado a pagar R$ 3,27 bilhões à ex-mulher na Coreia do Sul
Justiça amplia indenização a Roh Soh-yeong após considerar valorização da fortuna de Chey Tae-won durante boom da inteligência artificial; disputa se arrasta há quase uma década
O Tribunal Superior de Seul determinou nesta sexta-feira (24) que o bilionário Chey Tae-won, presidente do conglomerado SK Group e da fabricante de chips SK Hynix, pague 944 bilhões de wons (cerca de R$ 3,27 bilhões) à ex-esposa, Roh Soh-yeong. O caso, conhecido na Coreia do Sul como o 'divórcio do século', encerra mais um capítulo de uma disputa judicial iniciada após o fim do casamento de 34 anos do casal, embora ainda caiba recurso à Suprema Corte.
A decisão elevou significativamente o valor definido em primeira instância e levou em consideração a forte valorização do patrimônio de Chey durante o boom global da inteligência artificial. Segundo o Financial Times, a indenização equivale a cerca de 12% da fortuna do empresário, estimada em US$ 5,6 bilhões pelo Bloomberg Billionaires Index.
Segundo o tribunal, o crescimento das ações do grupo SK não decorreu apenas da atuação empresarial do executivo, mas também da contribuição de Roh ao longo do casamento, por meio da administração da família, da criação dos três filhos e de atividades relacionadas ao conglomerado. A Justiça também destacou que a valorização das empresas do grupo durante o processo foi considerada para garantir uma divisão patrimonial considerada justa.
Chey, cuja fortuna é estimada em cerca de US$ 5,6 bilhões, tornou a SK Hynix uma das principais fornecedoras mundiais de chips de memória para inteligência artificial, beneficiada pela explosão da demanda do setor. Analistas avaliam, no entanto, que a decisão não deve comprometer seu controle sobre o conglomerado, já que o pagamento poderá ser feito em dinheiro, sem necessidade de vender sua participação na holding do grupo.
O casal
O casamento começou a ruir publicamente em 2015, quando Chey revelou em uma carta publicada na imprensa sul-coreana que mantinha um relacionamento extraconjugal e tinha um filho fora do casamento. Dois anos depois, o casal iniciou oficialmente o processo de divórcio, dando origem a uma longa disputa sobre a divisão de um patrimônio que cresceu de forma expressiva com a expansão da SK nos setores de semicondutores, telecomunicações e energia.
Segundo o The New York Times, o caso também reacendeu debates sobre a relação histórica entre os grandes conglomerados familiares sul-coreanos, conhecidos como chaebols, e o poder político do país, já que Roh é filha do ex-presidente Roh Tae-woo e a disputa envolveu discussões sobre a origem da fortuna que impulsionou o crescimento do grupo SK nas décadas anteriores. Roh chegou a reivindicar quase metade da fortuna do ex-marido, mas a Justiça fixou sua participação em aproximadamente um terço dos bens considerados passíveis de divisão.
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