Finanças

Instituições reagem a tarifaço e pedem que governo fortaleça negociações

Associações defendem que diplomacia seja ampliada para tentar reverter adoção de sobretaxas

Agência O Globo - 23/07/2026
Instituições reagem a tarifaço e pedem que governo fortaleça negociações
- Foto: Reprodução / Internet

Instituições representativas de diversos setores da economia brasileira se manifestaram após a implementação de tarifas sobre produtos fabricados no Brasil. Diversas associações reafirmaram o pedido de fortalecimento das conversas entre o governo brasileiro e o americano na tentativa de criar acordos que baixem as alíquotas.

De acordo com a Amcham, cerca de três mil produtos exportados do Brasil para os EUA estão afetados.

Negociação comercial:

Veja ranking:

A Abimaq, que representa a indústria de máquinas e equipamentos, defende que “o caminho mais adequado é o fortalecimento da diplomacia, tanto em nível governamental quanto empresarial”. A entidade rechaçou a ideia de adoção da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta à nova alíquota, afirmando que, apesar da “decisão dos Estados Unidos ter motivação predominantemente política, uma reação brasileira baseada em retaliação tende a ser pouco eficaz, podendo ainda comprometer o diálogo entre os dois países”.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a nova alíquota de 12,5% “cria uma falta de competitividade total”, tornando mais crítico o cenário para os produtos manufaturados. Em comunicado, Alban disse que “o setor produtivo continuará apoiando as negociações do governo brasileiro com os norte-americanos”.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) lamentou a decisão e expressou confiança na atuação do governo na condução de tratativas diplomáticas e comerciais com os EUA. A entidade afirmou que “a decisão desconsidera importantes assimetrias na relação comercial entre os dois países”. Segundo a associação, “as exportações brasileiras de açúcar permanecem sujeitas às tarifas e restrições de acesso impostas pelos Estados Unidos, enquanto o Brasil mantém uma política não discriminatória para o etanol, em conformidade com as regras do comércio internacional”.

A Abicalçados, que reúne o setor da indústria calçadista, declarou que a alíquota representa “mais um revés na relação comercial” entre EUA e Brasil. Para Haroldo Ferreira, o movimento “piora o que já estava ruim”, ampliando o diferencial tarifário entre o Brasil e países asiáticos, como Vietnã, Indonésia e Camboja.

Governo Lula reage a nova tarifa:

A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) cobra uma atuação firme, técnica e coordenada do governo brasileiro para buscar a ampliação das exceções e a garantia de regras claras para as empresas, de modo a evitar o agravamento das barreiras impostas ao comércio entre os dois países.

A Associação dos Minerais Críticos (AMC) acompanha as medidas e afirmou que o setor “adota padrões de responsabilidade socioambiental, respeito aos direitos humanos, rastreabilidade e gestão de fornecedores, reconhecendo que esses pilares são essenciais para cadeias de suprimentos responsáveis”. Em relação à reciprocidade, Marisa Cesar, presidente da AMC, declarou que “mecanismos de diálogo e negociação tendem a produzir resultados mais favoráveis ao desenvolvimento das cadeias produtivas do que a ampliação de barreiras comerciais”.

Representando o setor de rochas naturais, como pedras utilizadas na construção civil, a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) afirmou que “a decisão representa um novo desafio para a competitividade do setor brasileiro de rochas naturais”. A associação disse que seguirá buscando alternativas, junto com representantes do governo e do setor nos EUA, “que minimizem os impactos da medida e preservem as condições de acesso das rochas naturais brasileiras ao mercado norte-americano”.