Finanças

Mesmo com nova taxa, 2 mil produtos brasileiros vendidos aos EUA seguem isentos, diz ministro

Sobretaxa foi aplicada sob a alegação de que o Brasil e mais 59 países falham em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado

Agência O Globo - 23/07/2026
Mesmo com nova taxa, 2 mil produtos brasileiros vendidos aos EUA seguem isentos, diz ministro
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa - Foto: Júlio César Silva/MDIC

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira que cerca de dois mil produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos não estarão sujeitos a nenhuma das duas tarifas fixadas pelos americanos: a de 25%, anunciada na semana passada, e a de 12,5% publicada hoje.

Em uma semana, vários alvos:

Veja como:

Nessa lista, estão produtos como café, carne, suco de laranja e frutas.

– Mas nós temos, lamentavelmente, muitos setores que estarão sujeitos à dupla tributação, dupla taxação, como é o caso, por exemplo, de calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes e confecções, exceto químicos que não sejam farmacêuticos. Para esses, infelizmente, a tarifa passa a ser de 37,5% – afirmou.

A tarifa adicional de 12,5% atinge 42% das exportações enviadas ao território americano, considerando os números de 2025, de acordo com os cálculos do economista João Carmo, da 4 Intelligence. Considerando o volume exportado em 2024, o percentual afetado é de 43%.

A sobretaxa foi aplicada sob a alegação de que o Brasil e mais 59 países falham em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado: 54 foram tarifados em 12,5% e outros seis com 10%. A decisão atinge 99,4% das importações americanas.

No caso brasileiro, a taxa de 12,5% deve se somar à tarifa de 25%, anunciada na semana passada sob o argumento de que o Brasil tem “práticas desleais” que prejudicam o comércio americano. Assim, parte dos produtores locais estarão sujeitos a uma sobretaxa de 37,5%.

– O Brasil tem compromissos históricos com combate ao trabalho forçado, à prevenção, ao controle, à fiscalização e ao acolhimento das vítimas. O Brasil é subscritor de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho – disse Elias Rosa.