Finanças

Outra tarifa americana a caminho? Governo dá como certa a inclusão do Brasil em outra sobretaxa

Taxa de 25%, exclusiva para produtos brasileiros, entra em vigor nesta quarta-feira, mas governo americano deve anunciar novas sobretaxas para vários países ainda nesta semana

Agência O Globo - 22/07/2026
Outra tarifa americana a caminho? Governo dá como certa a inclusão do Brasil em outra sobretaxa

O governo Lula considera certa a aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos ainda nesta semana, sob a alegação de que o Brasil importa bens produzidos com trabalho forçado . Já a primeira taxa de 25% que vai recair sobre itens vendidos pelo país aos EUA — por supostas práticas desleais de comércio — entrou em vigor nesta quarta-feira (dia 22).

Nesta terça-feira (dia 21), o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o governo Donald Trump deverá anunciar novas tarifas para aproximadamente 60 países . O Brasil é uma das nações investigadas pelo órgão americano por essa suposta prática.

Na avaliação do governo brasileiro, essa taxa de 12,5% seria imposta pelos EUA para driblar restrições pela Suprema Corte daquele país, que derrubou a tarifa de 10% aplicada ao Brasil e a diversos outros países no ano passado.

Por determinação do Judiciário americano, essa sobretaxa de 10% perde validade nesta semana. Com sua derrubada, a tarifa de 12,5% passaria a substituir-la.

— A investigação do trabalho solicitada termina na próxima sexta-feira. Aí vamos ficar sabendo se vai ser cumulativo ou não. Se vamos ter 25% mais 12,5% ou se vamos ter exclusão. A expectativa é que venha para todos. Essa Seção 301 do trabalho vai exigir os EUA para substituir aqueles 10% que acabarão na semana que vem — disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em entrevista coletiva na semana passada.

Além disso, auxiliares do presidente Lula relataram que uma eventual reversão da decisão do governo Trump foi considerada mais provável em relação à tarifa de 25% anunciada na semana passada desse caso.

Investigação

A investigação do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) aponta que o Brasil compra produtos de países que não adotam boas práticas trabalhistas.

Dessa forma, os produtos chegariam ao Brasil a preços mais baixos, causando uma concorrência desleal com o mercado americano. Ao todo, 60 países foram alvo dessa investigação sobre trabalho convocado. Em entrevista à CNBC nesta terça-feira, Jamieson Greer confirmou que os EUA anunciarão essas tarifas sobre cerca de 60 países .

A investigação coloca o Brasil no grupo de países que importaram produtos que foram feitos com o trabalho pretendido entre 2021 e 2025 . São cinco os produtos listados no caso brasileiro: alumínio , algodão , eletrônicos , baterias de lítio e tabaco .

O USTR sustenta que o Brasil "falhou em importação e aplicar de forma efetiva" uma obrigação à importação de bens produzidos com trabalho proposto e afirma que, embora o país cite compromissos reforçados em acordos de investimento e comércio, essas regras não proibiriam expressamente a entrada, no mercado doméstico, de mercadorias produzidas total ou parcialmente com trabalho forçado em outro país.

Argumento

O principal argumento é que o Brasil compra bens de países que não aplicam leis trabalhistas equivalentes às americanas, mas a investigação também aponta o uso de trabalho forçado em determinadas atividades no próprio país.

O Brasil e outros 53 países são alvos da proposta de tarifa de 12,5% . Canadá , Equador , União Europeia , Indonésia , México e Paquistão tiveram proposta de tarifa de 10% . Segundo os Estados Unidos, essas economias proíbem a importação de produtos feitos com trabalho solicitado e se comprometem a fazer cumprir essa proibição por meio de um Acordo de Comércio Recíproco ou adotaram um regime parcial para impedir a importação de determinados bens produzidos com trabalho solicitado.