Finanças
Como o novo tarifaço dos EUA atinge o Brasil? Entenda tudo o que envolve a medida de Trump
Nova sobretaxa de 25% anunciada pelo governo americano vem acompanhada de uma lista de exceções. Decisão foi tomada após investigação conduzida ao longo de um ano pelo USTR, baseada na Seção 301
A nova medida entra em vigor nesta quarta-feira e vem acompanhada de uma lista de exceções que abrange produtos importantes da pauta de exportações do Brasil, como carne e suco de laranja. A decisão possui uma série de repercussões econômicas e políticas para o país. Entenda a seguir os principais pontos da decisão e sua importância.
Após tarifaço de 25%:
O que vai acontecer com produtos exportados pelo Brasil?
O governo Trump decidiu que os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos só chegarão aos consumidores americanos mediante o pagamento de um Imposto de Importação de 25% sobre seu valor, o que, na prática, torna-os muito mais caros naquele país, dificultando sua competitividade em relação a itens fabricados localmente ou em outros países.
No entanto, essa decisão veio acompanhada de uma lista de exceções que inclui produtos importantes da pauta de exportações do Brasil, como carne e suco de laranja. Entidades empresariais e especialistas estimam que cerca de 60% dos produtos exportados pelo Brasil para os EUA estão isentos, mas manufaturados como máquinas e calçados estarão sujeitos à nova taxação.
Quando começa a valer o novo tarifaço?
A medida entrará em vigor nesta quarta-feira, dia 22.
Qual é a justificativa do governo americano?
A decisão foi tomada pelo USTR, após investigações sobre supostas práticas desleais de comércio, apurando se ações do Brasil prejudicariam empresas americanas.
Considerando as exceções, qual será o real impacto para empresas exportadoras brasileiras?
Antes do anúncio da nova sobretaxa de 25%, a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros era de 11,7%, segundo estimativa da iniciativa suíça, conforme a Global Trade Alert, que monitora acordos comerciais e sobretaxas americanas.
Agora, ao considerar a aplicação da Seção 301, com a nova taxa a partir desta quarta-feira, a tarifa média estimada para o país sobe para 18,22%. Isso se deve à vigência de uma sobretaxa de 10% imposta pela Seção 122, que expirará nesta semana.
Como o governo brasileiro reagiu?
Logo após o anúncio, o governo brasileiro, através do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), confirmou a medida. Em nota, o Palácio do Planalto expressou seu repúdio à taxa, classificada como injusta. O governo afirmou que acionará instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, mas recuou ao afirmar que a utilizará em "momento oportuno", segundo as palavras do vice-presidente Geraldo Alckmin, que liderou as negociações com os EUA.
Ainda, o governo criticou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, no ano passado, incentivou medidas contrárias ao Brasil em retaliação à prisão do antecessor de Lula por tentativa de golpe de estado.
O que é a seção 301?
A Seção 301, que possibilita ao USTR realizar apurações sobre práticas prejudiciais ao comércio internacional americano, é usada para determinar se um país adota práticas consideradas discriminatórias contra as empresas americanas, impondo sanções aos países alvos.
Se o USTR determinar que um país está adotando práticas anticompetitivas, pode definir medidas compensatórias e retaliatórias. Os riscos incluem tarifas extras, restrições à importação, suspensão de benefícios comerciais e outras sanções.
O uso da Seção 301 envolve um trâmite que inclui diálogo com o parceiro comercial, investigação, mediação e a implementação de medidas para sanar irregularidades, levando pelo menos 12 meses para conclusão.
Brasil já foi alvo da Seção 301?
Embora o uso da Seção 301 não seja recorrente, não é inédito. O Brasil já passou por investigações do USTR baseadas nesse dispositivo em 1985 e 1987, relacionadas à restrição de acesso de empresas americanas de tecnologia ao mercado brasileiro e à falta de concessão de pedidos de patentes biofarmacêuticas.
Outros países como China, Japão, Índia e União Europeia também enfrentaram investigações semelhantes.
Em março, o governo dos Estados Unidos abriu um novo processo contra o Brasil e mais 59 nações acusadas de utilizar trabalho forçado na produção de produtos exportados ou na importação desses itens.
A investigação coloca o Brasil entre os países que importaram produtos fabricados com trabalho forçado entre 2021 e 2025, incluindo alumínio, algodão, eletrônicos, baterias de lítio e tabaco.
Quais são as acusações dos EUA contra o Brasil?
O relatório final do USTR critica o Brasil em seis áreas principais: comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção.
As práticas relacionadas ao mercado de pagamentos aparecem entre os principais pontos questionados. Segundo o USTR, o Banco Central favorece o sistema de pagamentos ao atuar como regulador e proprietário da plataforma, impondo seu uso e limitando as taxas cobradas por concorrentes americanos.
O mercado de etanol também é alvo de críticas. O Brasil teria interrompido, em 2017, um tratamento tarifário considerado equilibrado e desde então não oferece reciprocidade às exportações americanas do combustível.
Confira aqui a lista de exceções que se aplica à nova taxação ao Brasil.
O que entrou na lista de exceções?
A nova sobretaxa americana de 25% sobre produtos brasileiros terá uma lista de exceções que abrange itens importantes da pauta de exportações do Brasil, como carne, suco de laranja e componentes para aeronaves.
Outros itens incluem açaí e água de coco. Mercadorias que já estão em trânsito para os EUA também ficam livres da sobretaxa.
Um alto funcionário do governo americano esclareceu que, no caso da carne, o objetivo é garantir o abastecimento do mercado americano.
Qual é o impacto para a economia brasileira?
De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a nova taxa foi classificada como um resultado "muito negativo" para a relação bilateral entre os dois países.
A nova sobretaxa afetará milhares de produtos exportados pelo Brasil, embora a lista de exceções preserve itens relevantes como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais.
Para a Amcham, além de prejudicar exportadores e produtores brasileiros, a sobretaxa poderá elevar custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade da indústria dos EUA dependente de insumos brasileiros e aumentar a dependência de fornecedores asiáticos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que o novo tarifaço imposto pelos EUA é preocupante, ressaltando que 20 dos 27 estados brasileiros reduziram suas vendas ao mercado americano no primeiro semestre.
Confira a cronologia dos tarifaços de Trump
Mais lidas
-
1RECONHECIMENTO
"Quando eu nasci, tudo isso era um só território, era Palmeira dos Índios", diz Dr. Wanderley ao receber título de Cidadão Honorário de Estrela de Alagoas
-
2ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
3CVRISE FINANCEIRA
Tesouro Nacional bloqueia repasses do FPM para cinco municípios de Alagoas
-
4CULTURA E TURISMO
Palmeira dos Índios anuncia hoje a programação oficial do Festival de Inverno 2026
-
5CORRUPÇÃO
Rio tem R$ 71,8 bilhões em contratos e recursos públicos sob investigação por corrupção