Finanças

Tarifa de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor hoje nos EUA: entenda o que muda para os exportadores

Embora a lista de exceções seja grande, negócios ligados à indústria não escapam da nova sobretaxa.

Agência O Globo - 22/07/2026
Tarifa de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor hoje nos EUA: entenda o que muda para os exportadores

A tarifa adicional de 25% imposta sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos começa a valer nesta quarta-feira, uma semana após ser confirmada e anunciada pelo governo americano, desconsiderando os esforços diplomáticos do Brasil.

Entenda como:

Após a tarifa de 25%:

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida deve impactar 15% do volume exportado para os EUA até 2025, totalizando cerca de US$ 5,8 bilhões. Os setores mais afetados incluem madeira, móveis, máquinas, equipamentos, calçados, produtos cerâmicos e açúcar.

O novo tarifaço foi implementado após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), órgão responsável pela política comercial do país, que alegou práticas “desleais” por parte do Brasil, prejudicando empresas americanas. A administração de Donald Trump citou, por exemplo, o desmatamento e a corrupção, argumentos que foram contestados pelo governo brasileiro.

A medida exclui diversos produtos que o Brasil mais exporta para os EUA, como petróleo, carne bovina, aviões, celulose e café. A lista final de exceções ficou maior do que a sugestão inicial do USTR, em resposta aos possíveis efeitos negativos da política protecionista sobre a economia americana.

Por outro lado, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva reconhece que a Casa Branca deve aplicar, até o fim desta semana, uma nova taxação de 12,5% sobre exportações brasileiras, devido a uma investigação contra 60 países relacionada a práticas de trabalho forçado.

O ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, declarou que ainda não está claro se as tarifas de 25% e 12,5% serão somadas. Ele ressaltou que o apoio aos setores afetados é uma prioridade do governo neste momento. Na terça-feira, ele e o vice-presidente Geraldo Alckmin iniciaram reuniões com empresários para discutir medidas que possam mitigar o impacto do tarifaço nos negócios.

Foram ouvidas organizações como a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.

A partir dessas conversas, o governo calibrará as medidas de apoio, que deverão ser mais modestas do que iniciativas anteriores e com algumas limitações. Na primeira versão do programa Brasil Soberano, em agosto de 2025, o governo destinou R$ 30 bilhões para os exportadores atingidos, valores que foram posteriormente reforçados com um adicional de R$ 15 bilhões. O primeiro pacote também incluiu alívio tributário e facilitação na compra de excedentes das empresas prejudicadas.

Além do pacote de socorro, o governo também planeja intensificar esforços para auxiliar os setores na diversificação de mercados, mantendo negociações com os Estados Unidos em busca de melhores condições comerciais. Muitos empresários alertaram que seguir pelo caminho da retaliação não seria benéfico, já que o tarifaço tem origens políticas.

O presidente executivo da Abimaq, José Velloso, enfatizou que a principal estratégia, independentemente das tarifas de 25% ou 37,5%, é buscar novos compradores fora dos Estados Unidos. Em reunião com Alckmin, a Abimaq apresentou propostas focadas em duas frentes.

A primeira busca reduzir custos internos que encarecem o produto brasileiro, conhecido como Custo Brasil, incluindo a diminuição de tributos que oneram a cadeia produtiva, facilitação de acesso ao crédito e devolução de impostos pagos por quem exporta (o chamado drawback).

A segunda frente pede ajustes no programa Brasil Soberano, com foco em facilitar a entrada de empresas no programa de linhas de crédito simplificado. Velloso exemplificou a regra que exige que a empresa comprove exportações anteriores aos Estados Unidos em um período determinado.

— É um programa que já mostrou resultados. Se conseguirmos ampliar a elegibilidade, poderemos melhorar ainda mais o desempenho — afirmou.

Confira a cronologia dos tarifaços de Trump.