Finanças
Pix está na mira dos EUA, mas não é só o Brasil que adota sistema próprio. Europa avança com euro digital
UE lançará em 2027 projeto piloto com objetivo declarado de reduzir dependência de provedores de pagamentos americanos, como Visa e Mastercard
O Pix está na mira do governo americano. A Casa Branca argumenta que o sistema prejudica as empresas dos Estados Unidos ao viabilizar um meio de pagamento operado e regulado pelo governo brasileiro. O governo dos EUA considera essa exigência uma prática desleal de comércio.
Atacar o Pix é como afirmar que 'criar saneamento compromete o carro-pipa'.
Por que o Pix incomoda tanto os EUA?
Embora o Pix tenha sido lançado em 2020 como uma ferramenta para democratizar o acesso a meios de pagamento, a nível global crescem iniciativas que visam diminuir a dependência de provedores americanos.
A proposta do euro digital também ganhou impulso na Europa, especialmente em 2020, em meio ao aumento das tensões com os EUA sob a gestão Trump. Em junho deste ano, a Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu aprovou um plano para criar versões online e offline da nova moeda digital, que o Banco Central Europeu (BCE) pretende lançar de forma experimental em 2027 e introduzir em circulação até 2029.
Recentemente, o BCE selecionou 36 prestadores de serviços de pagamento, incluindo Deutsche Bank e UniCredit, para dar início ao teste piloto do euro digital. Esta estratégia visa reduzir a dependência de empresas americanas como Visa e Mastercard.
— Atualmente, quase dois terços dos pagamentos com cartão na zona do euro são processados por empresas não-europeias. Treze dos 21 países que fazem parte da zona do euro não possuem um sistema nacional de cartões para pagamentos no dia a dia, tanto em lojas físicas quanto pela internet — destacou Alessandro Giovannini, assessor do projeto de euro digital no BCE, durante a aprovação no parlamento. Ele acrescentou:
— O euro digital fortalecerá a soberania europeia e reduzirá a dependência de soluções não europeias.
Resposta política, socorro a empresas e retaliação adiada:
Além das bandeiras de cartão de crédito, as carteiras digitais mais populares, como Apple Pay, Google Pay e PayPal, também são operadas por empresas dos EUA.
A expansão das stablecoins, que na maioria são denominadas em dólares e promovidas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou as preocupações entre os governos da União Europeia.
Ações recentes do governo americano, como a imposição de sanções contra juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI), incluindo o francês Nicolas Guillou, que se viu impedido de usar seu cartão de crédito Visa, acenderam o alerta entre os europeus.
Tarifaço:
Desde que a Comissão Europeia apresentou sua proposta em 2023, foram necessários mais de dois anos para que os Estados-membros chegassem a um consenso. Um dos principais obstáculos foi a defesa de uma solução desenvolvida pelo setor privado por parte de alguns parlamentares.
No entanto, prevaleceu a decisão de que o BCE lideraria a solução de infraestrutura para a moeda digital. Do mesmo modo, a infraestrutura do Pix no Brasil é pública, gerida pelo Banco Central.
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