Finanças
Exportadores isentos de tarifas de Trump falam em alívio: 'Era uma faca apontada para as nossas cabeças'
Governo dos EUA aplicou taxa de 25% sobre exportações brasileiras, com mais de 2,1 mil exceções
Exportadores brasileiros que seriam afetados pela tributação americana, mas que acabaram isentos, se dizem aliviados após a divulgação da lista final com mais de 2.100 propostas de tarifaço.
Entenda em cinco pontos:
A tarifa afetou US$ 11 bi em exportações do agro e da indústria.
Um dos principais setores impactados é o do café. Os grãos verdes — que representam 90% das exportações brasileiras para os EUA — já eram livres de impostos, mas a versão solúvel da bebida, que soma quase 10% do total exportado ao mercado americano, poderia ser tarifado. Porém, acabou sendo incluído na lista de discussões. Anualmente, os envios do produto para os Estados Unidos somam cerca de US$ 220 milhões.
— É um rompimento enorme. A tarifa era uma faca apontada para as nossas cabeças. Uma taxa de 25% comprometeria totalmente a exportação para o nosso principal mercado consumidor — comemora Aguinaldo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Taxados lamentam:
Junto com o México, o Brasil atende quase 60% da demanda americana por café solúvel, que é exportado principalmente na versão a granel. Nos EUA, o produto é embalado por empresas locais, que também cuidam da logística para os clientes finais. Os possíveis impactos foram avaliados por um dos argumentos das empresas usadas pelos exportadores brasileiros para sensibilizar o governo dos EUA.
Lima observa que o café solúvel produzido em solo americano apenas supre 6% da demanda interna. O processamento de grãos na versão solúvel para fábricas americanas também não seria viável, na visão do executivo. Isso porque a instalação de uma fábrica com escala viável leva cerca de cinco anos e depende de grandes investimentos. Para produzir 1 kg de café solúvel, são necessários 2,6 kg de matéria-prima.
— Há uma dependência enorme do produto brasileiro. Demonstramos tudo isso nas audiências públicas e nos documentos, para mostrar que isso geraria custo para as empresas americanas que fazem toda a distribuição e logística. Seriam negócios e negócios americanos impactados, o que geraria inflação — diz o diretor da Abics.
Tarifaço:
O trabalho de convenção das autoridades americanas não foi feito apenas pela associação, mas também pela National Coffee Association (NCA), que representa o setor do café nos EUA, além de clientes importantes do café brasileiro, como a Nestlé, que defendem o produto.
O mel orgânico também escapou da tarifa, após argumentação nas audiências públicas realizadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), demonstrando que os importadores americanos não encontrariam alternativas ao mel brasileiro para o consumo no país.
Por que o Pix incomodou tanto os EUA?
— Existe uma demanda enorme lá e não há de onde comprar, já que o Brasil é o principal fornecedor de mel orgânico do mundo. Mostramos a eles que, com a tributação, teria um aumento de preço para o consumidor americano, uma questão muito sensível ao Trump — afirma Renato Azevedo, da Abemel, associação que representa a cadeia exportadora do produto.
A pauta de exportação de mel para os EUA soma US$ 75 milhões anuais, sendo que cerca de 90% é de mel orgânico.
Socorro:
Segundo Azevedo, caso o mel brasileiro fosse tarifado, os produtores da Índia poderiam capturar parte da demanda dos EUA, mas enfrentariam uma entrada de sabor, já que o paladar americano está habituado ao mel brasileiro.
No total, são mais de 2.100 produtos na lista de discussões do governo americano. A relação inclui variações dos mesmos produtos - como café em grãos e solúvel - e abrange itens importantes das exportações do Brasil, como carne, suco de laranja e componentes para aeronaves. Outros itens incluem açaí e água de coco.
Produtos que foram retirados da lista da nova tarifa:
hidróxido de alumínio;
antiguidades, itens de coleção e obras de arte;
cinzas que contêm metais preciosos ou compostos de metais preciosos;
couros, peles e artigos de couro de origem animal específicos;
determinados produtos do setor de pesca;
determinados medicamentos e ingredientes farmacêuticos adicionais;
determinados produtos de madeira;
resíduos e sucata de ferro e aço;
mel orgânico;
ferro-gusa;
café solúvel sem saborizantes; e
roupas usadas.
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