Finanças
Tarifaço: Rubio ataca Lula de forma grosseira em declarações inaceitáveis, diz Mauro Vieira
Governo dos EUA aplicou taxa de 25% sobre exportações brasileiras, com exceções
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira que o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ataca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "forma grosseira" em declarações "inaceitáveis" . Nas suas redes sociais, Rubio acusou Lula de “não negociar com os EUA de boa-fé” .
— Desde o primeiro momento, o presidente Lula buscou diálogo e enfatizou sua disposição de negociar — disse Vieira, ressaltando que, somente com Rubio e o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, foram realizados 11 contatos, incluindo o encontro entre Lula e o presidente Donald Trump na Casa Branca — Rubio ataca de forma grosseira o chefe de Estado de um país amigo.
Vieira ainda disse que “não há justificativa” para a adoção da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, confirmada pelo governo de Donald Trump na noite de quarta-feira, entra em vigor no dia 22 de julho.
Na madrugada de hoje, o governo divulgou uma nota em que classificou a decisão norte-americana como “unilateral” , “ilegal” e “arbitrária” e afirmou que o dia 15 de julho “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável” . No comunicado, assinado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o Planalto informou que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovado por unanimidade pelo Congresso Nacional” e que retomará o tema no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A ocorrência brasileira, segundo a nota, será organizada em três frentes: a diversificação de mercados — com prioridade para a implementação dos acordos do Mercosul com a União Europeia, a Efta e Singapura, e negociações com parceiros como México, Canadá, Japão e Índia; medidas de socorro às empresas afetadas, por meio do Plano Brasil Soberano; e o acordo da Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a adotar contramedidas a barreiras comerciais consideradas injustificadas.
O governo também rebateu, ponto a ponto, as justificativas da investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), com base na Seção 301 da lei comercial americana. A nota classificou como “descabidas” as acusações contra o Pix e a regulação de plataformas digitais, e como “absurdas” as acusações relacionadas ao desmatamento.
Como argumento contra a tese de práticas comerciais desleais, o Planalto citou estatísticas do próprio governo americano: um superávit de US$ 424,5 bilhões dos EUA no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos, além do dado de que, em 2025, 76% das quantias de origem atingiram no país sem pagar imposto americano de importação, com alíquota média efetiva de 3,1%.
A nota trouxe ainda uma ofensiva política direta contra a família Bolsonaro, acusada de “ativa colaboração” com o desfecho da investigação americana. "São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam ações públicas contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros" , diz o texto.
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