Finanças
Governo Lula critica EUA por tarifas que favorecem a China
Estados Unidos confirmam nova taxa de 25% sobre produtos brasileiros
O governo do presidente Luiz Inácio da Silva avalia que, ao importar novas tarifas às importações brasileiras, os EUA colocam parceiros comerciais como o Brasil "no colo" da China. O país asiático é o principal rival financeiro dos Estados Unidos e tem ampliado seu domínio na economia global nos últimos anos, desafiando a hegemonia americana.
Alerta:
Os EUA anunciaram tarifas recentes para países como México, Japão, Coreia do Sul, Canadá e países da União Europeia.
Na última madrugada, os Estados Unidos decidiram aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de abordagens que abrange itens importantes da pauta de exportações do Brasil, como carne e suco de laranja. A sanção é vista pelos auxiliares de Lula como injustificável, uma vez que a balança comercial com os EUA é favorável aos norte-americanos devido ao déficit para o Brasil. Isso mostra que a política comercial dos EUA está acima da disputa geopolítica da Casa Branca com a China.
Para EUA:
A China tem 33,9% de participação nas exportações do Brasil no mês de junho, de acordo com dados da balança comercial. Já os EUA cobriram 9,6% no mesmo período. Esse percentual também foi atribuído à política industrial renovada por Trump, que promoveu tarifas agressivas para encarecer produtos estrangeiros e forçar a reindustrialização dos Estados Unidos.
O governo Lula mantém boa relação com o governo chinês. Em novembro de 2024, o presidente Xi Jinping veio ao Rio de Janeiro para a Cúpula do G20 e depois se encontrou com Lula no Palácio da Alvorada. Na visita oficial, discutimos mais de 30 acordos de cooperação. Já no terceiro mandato de Lula, o petista foi duas vezes à China, uma em março de 2023 e outra em maio de 2025.
Rival para as grandes empresas de tecnologia:
Enquanto isso, Lula fez uma única visita à Casa Branca em maio, ondeu do trato de tarifaço e chamou o presidente americano para vir ao Brasil — agenda que não tem previsão de ocorrência. Na relação comercial com os EUA, Lula evita concessões em troca de rompimento tarifário e mantém o discurso geopolítico em favor do multilateralismo e das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Briga política:
Durante as negociações com os americanos, o governo Lula não abriu mão de concessões relacionadas ao Pix, apontou pela investigação do Escritório do USTR como um instrumento que cria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras, como as de cartões de crédito. Além disso, não cedeu em relação à eliminação do imposto de importação do etanol americano — o que teria forte impacto no mercado interno.
Tarifaço:
A tarifação entra em vigor na semana que vem, em 22 de julho. A partir de agora, o governo passará a focar no processo de implementação da decisão, dentro de um ambiente em que, segundo auxiliares de Lula, não há mais "pressão de dados para negociação" e em um cenário de "reacomodação na urgência".
Rubio:
A tributação dos EUA deixará de fora laranja, suco de laranja, carne, café, petróleo e gás, além de peças e componentes aeroespaciais. A decisão foi tomada após investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Essa investigação focou em acusações sobre supostas práticas desleais de comércio e apurou se ações do Brasil, como o uso do Pix, o desmatamento ilegal e a dificuldade de acesso ao mercado de etanol brasileiro, estariam prejudicando as empresas americanas.
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