Finanças
Período eleitoral faz Palácio do Planalto recalcular manifestação pública de Lula em reação a tarifaço dos EUA
Governo de Donald Trump confirmou aplicação de taxa de 25% sobre parte de produtos brasileiros
O Palácio do Planalto está recalculando a manifestação pública do presidente Luiz Inácio da Silva em reação ao tarifaço dos Estados Unidos, devido à preocupação com o período de defeso eleitoral, que limita manifestações e publicidades durante a campanha. Auxiliares próximos do presidente temem que qualquer manifestação de Lula fora do tom possa ser interpretada como ato eleitoral e motive ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, em última instância, poderiam levar à impugnação da candidatura de Lula.
Impacto:
Lista de exceções, retaliação e negociações:
Entre as alternativas levantadas, estão uma coletiva de imprensa com ministros, uma manifestação pública de Lula ou de ministros. O formato está em discussão, assim como a participação presidencial. A decisão final será de Lula. Até agora, o Planalto divulgou uma nota na madrugada de quinta-feira, na qual disse que "repudia" a taxa, afirmou que irá acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e criticou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A preocupação quanto a deslizes que provoquem problemas na campanha de Lula é compartilhada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) e a Advocacia-Geral da União (AGU), que têm ampliado a lupa em todo material de divulgação de ações do governo, até mesmo publicações de ministros.
Para os EUA:
Diante desse cenário, o Planalto chegou a orientar, informalmente, o arquivamento de fotos em redes sociais que exaltam o presidente Lula. Novas postagens nesse sentido também não são recomendadas. Há orientações sobre horários de publicação e proibição do uso de Wi-Fi do governo para postagens eleitorais. Esses pedidos geraram contrariedade entre ministros e integrantes do governo. Para a AGU e a Secom, a justificativa é de que o governo não pode dar margem para interpretação de eventuais infrações à lei eleitoral.
A ala do governo que defende a rigidez do defeso eleitoral aponta que a equipe jurídica de Flavio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, estará em modo alerta para qualquer deslize de agentes do governo que justifiquem ações no TSE, que é comandado por Kassio Nunes Marques, indicado por seu pai, Jair Bolsonaro (PL). Também afirmam que a preocupação é correta diante de um cenário eleitoral apertado, em que todo cuidado é justificável. Lula e Kassio Nunes Marques mantêm uma relação cordial e se aproximaram nos últimos meses, embora isso não tenha dissipado a desconfiança de aliados do petista em relação ao ministro.
Na madrugada desta quinta-feira, os Estados Unidos publicaram a decisão de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, abrangendo uma lista de exceções que inclui itens importantes da pauta de exportações do Brasil, como carne e suco de laranja. A medida entra em vigor na próxima semana, em 22 de julho. A taxação excluirá laranja, suco de laranja, carne, café, petróleo e gás, além de peças e componentes aeroespaciais.
A decisão foi tomada após a investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A investigação tratava de acusações sobre supostas práticas desleais de comércio e apurava se ações do Brasil, como o uso do Pix, o desmatamento ilegal e a dificuldade dos EUA em ter acesso ao mercado de etanol brasileiro, prejudicariam as empresas americanas.
Confira a cronologia do tarifaço dos EUA.
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