Finanças

Tarifaço: EUA deixam 62% das exportações brasileiras fora da taxa de 25%

Cálculo de economista da 4Intelligence mostra que Estados Unidos deixaram 62% das exportações brasileiras ao país de fora das sobretaxas

Agência O Globo - 16/07/2026
Tarifaço: EUA deixam 62% das exportações brasileiras fora da taxa de 25%
- Foto: Depositphotos

Os Estados Unidos deixaram 62% das exportações brasileiras ao país de fora da taxa de 25% , segundo cálculo do economista João Carmo , da 4Intelligence. Essa parcela de abordagens é maior do que a recomendação inicial do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) , realizada ao final da investigação sobre práticas desenvolvidas “desleais” do Brasil que prejudicam o comércio americano. De acordo com Carmo, a princípio, a lista de abordagens abarcava 56,3% da pauta exportadora brasileira para os EUA. A conta considera o comércio entre os países em 2025 .

Em valores, ficaram isentos da taxa de 25% US$ 23,3 bilhões dos US$ 37,7 bilhões vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos no ano passado, conforme os cálculos do economista da 4Intelligence. A nova tarifa foi confirmada na noite desta quarta-feira e começa a valer no dia 22 de julho . Em entrevista reservada a jornalistas antes da publicação da medida, um alto funcionário da Casa Branca afirmou que o governo americano segue negociando com o Brasil.

A decisão deixou de fora produtos importantes da pauta de exportações brasileiras para os EUA, como laranja, suco de laranja, carne, café, petróleo e gás , além de peças e componentes aeroespaciais. O maior beneficiado pelas isenções entre a lista sugerida originalmente e a aplicação final foi o ferro fundido , aponta Carmo. Os pescados, como lagosta, tilápias e outros peixes, também não serão mais realizados pela taxação de 25% .

A ampliação dos produtos que não serão afetados pela tarifação reforça a análise de que a decisão do governo Donald Trump terá baixo impacto macroeconômico para a economia brasileira.

— A expectativa ainda é de impacto baixo sobre a balança comercial, mas de impacto importante para alguns setores como máquinas e equipamentos , e agroindústria .

A decisão da administração Trump foi tomada após a investigação da Seção 301 pelo USTR. A investigação tratou de acusações sobre supostas práticas de negociação e apurou se ações do Brasil, como o uso do Pix , o desmatamento ilegal e a dificuldade dos EUA em ter acesso ao mercado de etanol brasileiro, prejudicando as empresas americanas.