Finanças

Tarifaço afeta US$ 11 bi em exportações do agro e da indústria, diz Câmara do Comércio Americana

Governo Trump anunciou tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Medida entra em vigor em 22 de julho.

Agência O Globo - 16/07/2026
Tarifaço afeta US$ 11 bi em exportações do agro e da indústria, diz Câmara do Comércio Americana
- Foto: Jose Fernando Ogura/AEN

Após o anúncio do governo dos Estados Unidos de importação de uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) afirmou, nesta quinta-feira, que a medida deve afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio, classificando a decisão como um resultado "muito negativo" para a relação bilateral entre os dois países. A sobretaxa entra em vigor em 22 de julho .

Entenda:

Lista de abordagens, retaliações e negociações:

A manifestação ocorre um dia depois do governo de Donald Trump oficializar a tarifa como avanço da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana. A medida atingirá milhares de produtos exportados pelo Brasil, embora uma lista de abordagens preserve itens relevantes da pauta comercial brasileira, como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais. O governo americano justificou a decisão com recomendações de práticas comerciais consideradas desleais pelo Brasil, incluindo questões relacionadas ao Pix , propriedade intelectual, combate ao desmatamento ilegal e acesso ao mercado brasileiro.

Amcham pede diálogo e alerta para impactos

Na avaliação da Amcham, além das deficiências dos exportadores e produtores brasileiros, a sobretaxa poderá aumentar os custos para empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade da indústria dos Estados Unidos que utiliza insumos brasileiros e ampliar a dependência de fornecedores asiáticos. A entidade também afirma que à medida tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já acumula queda de 13% neste ano, além de comprometer investimentos e limitar a cooperação em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.

O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto , defendeu a continuidade das negociações entre os dois governos.

— Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguiram o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho proposto, que poderá aumentar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5% — afirmou ao GLOBO .

A entidade também considera positiva a exclusão de uma lista expressiva de produtos da sobretaxa, mas defendeu a criação de um mecanismo que permita novas abordagens para itens cujas tarifas possam provocar impactos econômicos desproporcionais. Segundo a Amcham, uma organização participará para aproximar os setores público e privado dos dois países e apoiar iniciativas voltadas ao crescimento econômico, aos investimentos e à geração de empregos.