Finanças

Governo deve esperar até o fim de julho para decidir sobre reversão de subvenção da gasolina

Continuam vigentes a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina, de R$ 1,12 por litro do diesel e de R$ 11 por botijão de 13 quilos do gás de cozinha

Agência O Globo - 16/07/2026
Governo deve esperar até o fim de julho para decidir sobre reversão de subvenção da gasolina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve monitorar o mercado de petróleo até o fim do mês para decidir sobre a reversão dos subsídios incidentes sobre a gasolina, diante da volatilidade causada pela retomada do conflito no Oriente Médio. A suspensão do cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos, que vigorou por algumas semanas, também deve levar o governo a fazer uma retirada mais gradativa quando as condições o permitirem.

Durante a vigência do cessar-fogo, a cotação do petróleo voltou à casa de US$ 70 , nível semelhante ao período pré-guerra, e o governo iniciou uma reversão das subvenções que estavam em vigor com a retirada do subsídio de R$ 0,35 por litro do diesel, com custo de R$ 1,7 por mês. A ideia era reverter as demais nas semanas seguintes, mas, nesse meio tempo, o Irã e os Estados Unidos voltaram a se atacar, e a ocorrência inicial foi adotar a cautela antes de qualquer nova decisão.

Continuam vigentes a subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina, de R$ 1,12 por litro de diesel e de R$ 11 por botijão de 13 quilos de gás de cozinha. O governo mantém também a desoneração do PIS/Cofins sobre o biodiesel e o querosene de aviação. Da forma, ainda está em vigor o mesmo imposto de exportação sobre o petróleo bruto e o diesel, criado para evitar a venda para o exterior dos combustíveis subsidiados.

A cotação atual do petróleo, ao redor de US$ 80 , não é considerada um grande problema por um membro da equipe econômica. Se o preço se estabilizar nesse nível ou cair um pouco abaixo até o final do mês, o governo deve conseguir começar a reverter os demais subsídios para ficar compatível com a realidade do mercado internacional.

O aprendizado após o curto cessar-fogo deve induzir o governo a ser mais cauteloso na retirada, fazendo movimentos gradativos, de modo a evitar qualquer vaivém nos preços domésticos em virtude de uma possível volatilidade global.

Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, a secretária de Política Econômica da Fazenda, Débora Freire, reforçou que o momento agora é de “parar e observar” diante da incerteza sobre a guerra e o preço do petróleo no mercado internacional.

— Ainda estamos em um momento de esperar uma maior clareza sobre o cenário para reavaliar. Temos todo o interesse de retirar as medidas assim que o cenário para de um pouco mais de certeza quanto ao comportamento do preço do Brent. Não temos um dado, mas estamos em um período de intensa vigilância e monitoramento para tomar as decisões mais contemporâneas e acertadas possíveis.