Finanças
Brasil tem R$ 6,2 bilhões esquecidos nos bancos, segundo BC; veja como consultar resgate
Banco Central informa que recursos continuam disponíveis para pessoas físicas e empresas; consulta é gratuita e feita pelo Sistema de Valores a Receber
O Banco Central divulgou que R$ 6,24 bilhões permanecem esquecidos em bancos e instituições financeiras, com dados referentes a maio de 2026. Esse montante representa uma diminuição significativa em comparação aos meses anteriores, já que anteriormente superava a marca de R$ 10 bilhões. Os recursos continuam disponíveis para resgate por pessoas físicas e jurídicas por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR).
Entenda a medida:
Do total, R$ 4,44 bilhões pertencem a 24,08 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 1,8 bilhão são devidos a 2,27 milhões de empresas. Desde a implementação do sistema, o Banco Central já devolveu R$ 15,47 bilhões aos legítimos titulares dos recursos.
Transferência para o Desenrola reduziu saldo
A diminuição no volume de recursos disponíveis ocorreu após a transferência de R$ 5,7 bilhões para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que serve para garantir o programa Desenrola Brasil, do Governo Federal. Tal medida foi autorizada pela Lei 14.973/2024, permitindo o repasse de valores que permaneceram sem solicitação de resgate dentro do prazo estipulado pelo governo.
Em março, o montante de dinheiro esquecido ultrapassava R$ 10,6 bilhões. Segundo o Banco Central, pelo menos 10% dos recursos transferidos continuam reservados para atender eventuais pedidos de devolução que possam ser feitos posteriormente pelos titulares.
A utilização destes recursos pelo governo está sob a análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que investiga se verbas fora do orçamento podem ser destinadas ao financiamento de programas federais.
Onde está o dinheiro
Os recursos estão distribuídos entre diferentes tipos de instituições financeiras, com os bancos concentrando a maior parte do saldo disponível, totalizando R$ 2,91 bilhões.
Na sequência aparecem:
Administradoras de consórcio: R$ 2,25 bilhões
Cooperativas de crédito: R$ 586,7 milhões
Instituições de pagamento: R$ 311,5 milhões
Financeiras: R$ 106,3 milhões
Corretoras e distribuidoras: R$ 71 milhões
Outras instituições: R$ 8,8 milhões
Esses valores podem originar de contas-correntes ou poupanças encerradas, tarifas cobradas indevidamente, parcelas de empréstimos pagas em excesso, contas de pagamento encerradas, recursos de consórcios, cotas de cooperativas de crédito, contas de investimento e outros créditos que as instituições financeiras são obrigadas a devolver aos clientes.
Pequenas quantias são a maioria
O levantamento do Banco Central revela que a maioria dos beneficiários possui pequenas quantias a receber, o que leva muitos a não realizarem o resgate.
67,6% têm até R$ 10 disponíveis
19,5% possuem entre R$ 10,01 e R$ 100
10,4% têm entre R$ 100,01 e R$ 1 mil
2,46% possuem mais de R$ 1 mil para resgatar.
Como consultar o dinheiro esquecido
A consulta é gratuita e deve ser realizada exclusivamente pelo Sistema de Valores a Receber, do Banco Central.
Passo a passo:
Acesse o Sistema de Valores a Receber: valoresareceber.bcb.gov.br
Clique em “Consulte valores a receber”;
Preencha os campos com os seus dados;
Clique em “Consultar” e confira;
Caso você tenha valores a receber, basta clicar em “Acessar o SVR”. É necessário possuir uma conta gov.br de nível prata ou ouro para entrar no SVR.
Preste atenção à data que o Sistema de Valores a Receber informará. Essa data será um agendamento, e você poderá consultar os valores e fornecer os dados para a transferência nesse dia. O agendamento será realizado de acordo com sua data de nascimento. No caso das empresas, conforme a data de criação da companhia;
Na data agendada, acesse novamente o site valoresareceber.bcb.gov.br, utilizando seu login gov.br para saber qual valor está disponível para saque e solicitar a transferência.
Quem não possui chave Pix poderá combinar outra forma de recebimento diretamente com a instituição financeira responsável.
O Banco Central também oferece a modalidade de resgate automático para pessoas físicas que utilizam o CPF como chave Pix. Após ativar a opção no sistema, eventuais novos valores identificados serão depositados automaticamente, sem necessidade de uma nova solicitação.
A funcionalidade não está disponível para empresas, contas conjuntas ou instituições financeiras que ainda não aderiram ao sistema.
É possível consultar também recursos em nome de pessoas falecidas. Nesses casos, o pedido deve ser realizado por um herdeiro, inventariante, testamentário ou representante legal, utilizando sua própria conta Gov.br. Após encontrar os valores, é necessário contatar a instituição financeira responsável para concluir a liberação dos recursos.
(Com Agência Brasil)
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