Finanças

Aumento da mistura com gasolina vai elevar demanda por etanol em 1 bilhão de litros por ano, diz associação

Medida vale por 180 dias e pode ser prorrogada pelo mesmo prazo

Agência O Globo - 14/07/2026
Aumento da mistura com gasolina vai elevar demanda por etanol em 1 bilhão de litros por ano, diz associação

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) afirma que a aprovação da ampliação da mistura voluntária de etanol anidro à gasolina para 32%, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), reforça a segurança energética do país ao ampliar a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil.

A demanda adicional estimada com a mistura de 30% é de aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol anidro por ano em relação ao E30. Atualmente, o consumo gira em torno de 12,5 bilhões de litros anualmente.

O setor afirma já possuir condições de atender a essa expansão. Apenas nesta safra, o crescimento previsto da produção pode atingir 4 bilhões de litros, com a entrada na operação de novas unidades de etanol de milho e a expansão da oferta nas usinas de cana-de-açúcar.

De acordo com a entidade, a estimativa é que o Brasil deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Isso "contribui para reduzir a dependência de importações de gasolina e aumentar a previsibilidade no abastecimento, especialmente em um cenário internacional marcado por volatilidade", afirma a associação.

A entidade ressalta que, desde o início da escalada do esforço no Oriente Médio, a presença do etanol no mercado interno garantiu economia aos consumidores. “Sem a presença do renovável no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões nos últimos três meses ou quase R$ 32 bilhões por ano com a importação de gasolina mais cara”, diz a entidade.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira, uma medida que terá vigência de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, uma única vez, pelo mesmo período.

Com isso, de cada litro de gasolina comprado na bomba, 32% serão compostos por etanol. Para o consumidor, a mudança é automática. O combustível é misturado pelas empresas vendidas.

O Conselho é presidido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e atua como órgão de avaliação da Presidência na formulação de políticas sobre o setor de energia. O colegiado é composto por diversos ministérios, como Fazenda, Casa Civil e Planejamento.

A medida faz parte da estratégia do governo para reduzir a dependência de combustíveis importados e minimizar os efeitos da guerra do Oriente Médio, que elevou o preço do barril de petróleo no mercado internacional.

“Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar uma maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira”, diz a nota.

O Brasil importa hoje cerca de 15% da gasolina que consome. Portanto, ao aumentar a mistura, o consumo de etanol aumenta e o de gasolina pura reduz, resultando em menor dependência do combustível importado.

Cálculos do Ministério de Minas e Energia apontam que uma mudança pode evitar a entrada de cerca de 450 milhões de litros de gasolina no Brasil. Segundo Silveira, a ampliação da mistura pode levar o país a zerar as importações de gasolina, colocando o Brasil em condição de autossuficiência no abastecimento.

O aumento da mistura do etanol já havia sido anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda depende da aprovação formal do CNPE. A reunião foi marcada inicialmente para 7 de maio e aconteceu na manhã desta terça após quatro adiamentos.

No ano passado, o governo já havia aprovado o aumento da mistura do etanol na gasolina de 27,5% para 30%. Segundo o MME, a elevação para 32% foi subsidiada por testes, que não considerou impactos relevantes no funcionamento dos veículos, “inclusive aqueles instalados com motores não flexíveis”.

Além disso, o MME afirma que segue com estudos para aumentar ainda mais os percentuais do etanol na mistura, chegando a 35%.

"Paralelamente à implementação da medida, siga em andamento, no âmbito do Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro, estudos para avaliação de misturas com percentuais superiores de etanol, incluindo o E35. Os ensaios têm como foco a análise da durabilidade de componentes e dos efeitos da utilização do combustível em longo prazo."