Finanças
Decisão sobre corte do subsídio da gasolina ficará para a próxima semana, afirma ministro da Fazenda
Governo reavalia medida diante da retomada do conflito no Irã e da volatilidade do mercado de petróleo
Nesta quinta-feira (dia 9), o ministro da Fazenda, Dario Durigan , afirmou que a decisão sobre o corte do subsídio da gasolina ficou para a próxima semana. Ele acrescentou que analisa o caso com cautela, mas “gostaria” de adotar a medida.
— Ontem (quarta-feira), o valor do petróleo subiu para US$ 80 . Então, precisamos adotar com cautela a retirada dos subsídios. Retiramos o diesel, e esta semana iriamos anunciar a retirada da gasolina. Vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo. Semana que vem, o que eu gostaria de fazer é retirar o subsídio da gasolina, parcial ou totalmente, como próximo passo — disse Durigan em entrevista à Rádio Gaúcha .
O governo estava discutindo adiar a nova rodada de revisão gradual dos subsídios aos combustíveis em meio à retomada do conflito no Irã e à volatilidade no mercado de petróleo. O assunto estava previsto para ser discutido entre esta quarta e quinta-feira.
Cessar-fogo no território
Com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , de que o cessar-fogo com o Irã acabou e o aumento da cotação do barril de petróleo, prevaleceu a decisão de esperar mais alguns dias.
Na semana passada, o governo anunciou o fim do subsídio de R$ 0,35 por litro de diesel. Na ocasião, sinalizou que a outra subvenção do combustível, de R$ 1,12 , e, principalmente, a medida relativa à gasolina, de R$ 0,44 , deveria seguir pelo mesmo caminho, com a normalização dos preços do petróleo no mercado internacional. Depois, em entrevistas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que a retirada da subvenção da gasolina ocorreria já nesta semana.
O argumento da alta volatilidade decorrente das últimas notícias do Oriente Médio também deve ser usado pelo governo nas negociações com o Congresso Nacional.
Presidente da Câmara
A discussão ganhou um complicador com a declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que avisou aos líderes partidários que poderá colocar em votação o projeto que cria um mecanismo para compensar a perda de arrecadação decorrente da redução de tributos sobre combustíveis, caso o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conclua a retirada do subsídio à gasolina.
O PLP foi enviado pelo próprio governo, mas está repleto de emendas para beneficiários do agro e, especialmente, do setor de etanol. Uma das propostas é garantir o cumprimento do diferencial competitivo, previsto na Constituição, entre gasolina e etanol, mas o desenho da emenda estava com custo muito mais alto do que o governo estava disposto a arcar. O setor do etanol tem restrições Motta a votar a proposta, sob a argumentação de que o biocombustível estaria em desvantagem competitiva frente ao preço da gasolina depois do subsídio.
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