Finanças

Correios suspendem parte de reestruturação e adiam fechamento de agências em busca de R$ 7 bilhões

Interrupção foi proposta em meio à pressão de movimento grevista pelos sindicatos

Agência O Globo - 09/07/2026
Correios suspendem parte de reestruturação e adiam fechamento de agências em busca de R$ 7 bilhões
Correios - Foto: Reprodução

Apresentado no ano passado como contrapartida ao aval do Tesouro para um empréstimo de R$ 12 bilhões, o plano de reestruturação em curso nos Correios foi parcialmente interrompido neste mês. O estado suspendeu o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que exercem atendimento ao público, além da adoção de um sistema para mapear os recursos necessários para realizar as entregas. A decisão foi tomada diante da ameaça de servidores de entrarem em greve.

A suspensão das medidas previstas no plano ocorre no momento em que a direção da empresa, comandada por Emanoel Rondon, busca um novo empréstimo, agora de R$ 7 bilhões, como parte da estratégia para reverter os resultados negativos dos últimos anos. O estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e o rombo deve ser ainda maior neste ano. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.

Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária e servirá para que entidades representativas dos trabalhadores possam indicar possíveis distorções na aplicação das medidas. “A suspensão das medidas adicionais é temporária e restrita aos temas em discussão, permitindo que as demais iniciativas previstas no Plano de Reestruturação tenham continuidade”, disse a empresa. São mantidas, por exemplo, as ações de venda de imóveis e outras medidas de contenção de despesas .

A suspensão temporária foi proposta em carta aos sindicalistas, em resposta ao movimento grevista. Insatisfeitos com as medidas do plano de reestruturação, os representantes dos trabalhadores tinham indicado que começariam uma paralisação na terça-feira passada. Depois do aceno da direção dos Correios, recuaram e só mantiveram o estado de greve, o que permite à categoria cruzar os braços a qualquer momento, caso haja descumprimento dos termos da negociação pela empresa.

“Como demonstração concreta do compromisso dos Correios com o diálogo e com a busca de soluções construídas de forma negociada, propõe-se a suspensão do fechamento de unidades previstas no Plano de Reestruturação dos Correios até 31 de julho de 2026, ressalvadas as unidades fechadas ou em processo avançado de fechamento”, diz a carta, a que O GLOBO teve acesso. O documento é assinado pelo presidente da empresa e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações.

No período da suspensão, segundo o documento, serão avaliados e debatidos novos fechamentos, com análise técnica, institucional e social das situações apresentadas. Da mesma forma, foi proposta a suspensão do sistema de dimensionamento de distribuição e a reavaliação das medidas já realizadas em junho. Por fim, a direção se compromete com a interrupção da retirada das remunerações relativas ao Adicional de Atendimento em Guichê – AAG e Quebra de Caixa, com a reavaliação dos benefícios que já foram encerrados.

Das ações paralisadas no contexto da negociação com os trabalhadores, uma das mais relevantes para o processo de recuperação financeira da empresa é o fechamento de agências e centros de tratamento e distribuição. Das 1.000 unidades que a empresa pretendia reduzir, com previsão de economia de R$ 2,1 bilhões, 256 tiveram suas atividades encerradas até o momento.

A medida é importante também porque o novo programa de missão voluntária (PDV), que deve ser anunciado em breve, será voltado exclusivamente para as unidades que serão fechadas, que têm, ao todo, 7 mil funcionários.

Na primeira iniciativa de desligamento voluntário deste ano, houve frustração . Apenas 3.075 funcionários aderiram à iniciativa, bem abaixo da meta de 10 mil. A economia alcançada foi de cerca de R$ 700 milhões, contra a meta de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas.

Na parte do plano que envolve a busca de novas receitas, a empresa, por sua vez, vem avançando em parcerias . O plano de reestruturação foi apresentado pelos Correios no ano passado, diante de uma grave crise financeira e como condição do governo para que o Tesouro Nacional avalasse um empréstimo de R$ 12 bilhões para socorrer o estatal.