Finanças

Preços de hortifruti pressionam custo da cesta em maio

Apesar das altas, consumo nos mercados cresceu 2,23% em maio, puxado pelo Dia das Mães. Copa do Mundo deve alavancar vendas em junho, mas cenário climático pode pressionar preços adiante.

Agência O Globo - 08/07/2026
Preços de hortifruti pressionam custo da cesta em maio
Preços de hortifruti pressionam custo da cesta em maio - Foto: Reprodução

À medida que as vendas nos supermercados voltaram a ganhar atração em maio, o consumo dos brasileiros nesses estabelecimentos cresceu 2,23% em comparação com abril, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) . O avanço veio mesmo com a melhoria do custo da cesta básica, baseada em itens como feijão, leite e hortifruti, em meio ao período de entressafra.

Para o setor, os preços devem seguir relativamente acomodados no curto prazo, com a Copa do Mundo ajudando a girar as vendas em junho. O principal ponto de atenção para a segunda metade do ano é o efeito do El Niño .

Segundo Marcio Milan , vice-presidente da Abras, o Dia das Mães contribuiu para um aumento de 9,5% no consumo naquela semana, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já a partir de junho, o setor também sentiu os efeitos da Copa do Mundo, que começou no dia 11 do mês anterior e vai até o próximo dia 19. No dia 30, a Abras divulgará uma análise sobre a influência do torneio no consumo ao longo do mês.

— O que percebemos na primeira semana é que houve um aumento da venda dos produtos como bebidas, salgadinhos, e mesmo a própria carne — adiantou o presidente da entidade aos jornalistas, ao citar que a reta final dos jogos da Copa traz oportunidades de consumo mesmo sem a continuação da seleção brasileira na competição.

— São momentos únicos no futebol e sempre trazem curiosidade. Há uma tendência de maior consumo, que deve influenciar as famílias brasileiras.

Acomodação de preços, mas atenção ao clima

Questionado sobre se os preços devem ser acomodados ou se ainda há pressão pela frente, Milan ponderou que o cenário para o segundo semestre é de relativa estabilidade no mercado como um todo, mas com riscos no radar:

— Acompanhamos a questão da guerra entre o Irã e os Estados Unidos, que traz volatilidade ao petróleo e tem consequências para toda a cadeia de abastecimento. Também estamos de olho no El Niño . Estamos atentos à agricultura para saber como isso vai se comportar. Tudo isso aponta para uma tendência de possíveis aumentos de preços.

O consumo em maio acelerou em relação a abril, quando tinha subido 1,48% , depois de uma alta forte de 6,21% em março como recuperação após as quedas registradas em janeiro e fevereiro, meses seguintes ao pico histórico de vendas do setor em dezembro.

Cesta básica ficou, em média, 2,16% mais cara em maio

Segundo o Abrasmercado , indicador que acompanha a variação de preços de uma cesta de 35 produtos, o valor médio pago pelo consumidor subiu 2,16% na passagem de abril para maio, saindo de R$ 836,80 para R$ 854,91.

Mais voláteis e sob efeito da entressafra entre maio e julho, quando o clima mais frio e a falta de chuvas afetam o ciclo produtivo, os preços de hortifruti se destacam entre os altos. A batata subiu 44,69% somente em maio e já acumula alta de 75,84% no ano.

O tomate avançou 20% no mês e soma alta de 86% em 2026. Já a cebola subiu 16% em maio e acumula 48% no ano. Também subiram de preço o feijão, com alta de 6,44% em maio ante abril e de 41% no acumulado do ano, e o leite longa vida, que teve alta de 0,77% no mês e de 22,33% no ano até maio.

Os destaques negativos ficaram por conta do café moído (queda de 8% no ano), do açúcar orgânico (- 6,73% ) e do óleo de soja (- 6,65% ). Os ovos recuaram 1% em maio, mas ainda acumularam alta de 7% no ano. Entre as carnes, os cortes traseiros subiram 1,9% em maio e 9,97% no ano, enquanto os cortes dianteiros avançaram 5,84% no ano e 1,71% no mês.

Cesta de 12 produtos básicos

Pela análise regional, o Nordeste registrou maior variação de preços da cesta de 35 produtos em maio, com alta de 2,79% . Ainda assim, a região cerrou o custo da cesta com menor custo médio da cesta com preço médio de R$ 772,51.

Considerando apenas itens básicos, numa lista da Abras que reúne 12 produtos essenciais do consumo, o custo da cesta básica aumentou, em média, 0,81% , de R$ 354,22 para R$ 357,10, pressionado mais pela carne, arroz e feijão, mas ajudado pela queda do açúcar, do café, do óleo de soja, da farinha de mandioca e de trigo.