Finanças
Flávio Bolsonaro defende entrada do Brasil em acordo entre EUA, México e Canadá
Proposta surge uma semana após governo americano abandonar renovação automática do acordo que substituiu o Nafta
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quarta-feira (dia 7) que pretende aproveitar a rodada de reuniões reservadas que terá hoje em Washington (EUA) com interlocutores ligados ao governo Donald Trump para defender a entrada do Brasil em um acordo comercial semelhante ao firmado entre Estados Unidos, México e Canadá.
A proposta será apresentada um dia depois de sua participação na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), na qual pediu o cancelamento da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, defendeu o Pix e voltou a cobrar uma aproximação econômica entre Brasília e Washington.
Em transmissão ao vivo, o senador afirmou que pretende sugerir a criação de um Afta, em referência ao antigo Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), incorporando o Brasil ao bloco comercial.
— Eu vou, nessas conversas que terei agora, informar que pretendo falar que, assim como tem o Nafta, a gente pode cortar a letrinha N e falar Afta, e o Brasil pode se incluir. Temos uma avenida de oportunidades para atrair investimentos americanos e gerar uma zona de livre comércio com esses três países: Canadá, México e Estados Unidos — afirmou.
Encontro reservado
A ideia deverá ser apresentada durante os encontros reservados que Flávio terá com interlocutores ligados à investigação comercial conduzida pelo USTR. Na avaliação do senador, uma maior integração econômica entre Brasil e Estados Unidos produziria resultados mais efetivos do que a imposição de barreiras tarifárias.
A proposta, porém, surge em um momento de incerteza justamente sobre o futuro do acordo que une Estados Unidos, México e Canadá. Na semana passada, o governo Donald Trump decidiu abandonar a renovação automática do USMCA, tratado que substituiu o Nafta em 2020.
Em vez de prorrogar automaticamente o acordo por mais 16 anos, Washington optou por submetê-lo a revisões anuais, alegando que o pacto precisa ser reformulado para reduzir déficits comerciais e fortalecer a indústria americana. Embora o tratado permaneça em vigor, a decisão abriu um período de negociações permanentes e aumentou a incerteza para empresas que operam na América do Norte.
A defesa de um acordo comercial mais amplo marca uma mudança na estratégia adotada por Flávio durante a viagem. Na audiência promovida pelo USTR, o senador concentrou sua apresentação no pedido para que o governo americano cancelasse as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, preservasse o Pix e mantivesse aberta uma negociação bilateral. Agora, nas reuniões reservadas, pretende ampliar esse discurso e apresentar uma agenda de integração econômica entre os países.
Política externa
Na mesma transmissão, Flávio voltou a afirmar que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estaria conduzindo uma política externa "antiamericana" e disse acreditar que a recomendação técnica do USTR será favorável à aplicação das tarifas.
— O que está correndo nos bastidores é que essa tarifa de 25% vai ser sugerida pelo USTR. Eles têm preocupação com o comportamento do Brasil em relação à China, mas fui lá explicar que as exportações entre os países aumentaram. Tentei explicar que, se impulsionarem tarifas novamente, a consequência será fortalecer a China.
Segundo Flávio, esse continuará sendo um dos principais argumentos levados às reuniões desta quarta-feira. Na avaliação do senador, uma nova rodada de sobretaxas acabaria aproximando ainda mais o Brasil da China e produziria um efeito contrário aos interesses estratégicos dos Estados Unidos.
Flávio também retomou a defesa do Pix, um dos temas incluídos na investigação comercial americana.
— Expliquei que o Pix foi uma inovação do governo Bolsonaro. Funcionou para integrar o mercado informal e acabou beneficiando também empresas americanas de meios de pagamento.
Cenário político brasileiro
Ao comentar o cenário político brasileiro, o senador voltou a afirmar que uma eventual mudança de governo alteraria a relação bilateral entre Brasília e Washington.
— Existe alguém hoje na Presidência do Brasil que é anti-Estados Unidos. Disse que, em 87 dias, com as eleições, o cenário pode mudar. Eu pedi: cancelem essas tarifas.
Segundo aliados, a rodada de reuniões desta quarta-feira representa a última etapa da ofensiva montada por Flávio nos Estados Unidos antes da decisão prevista para 15 de julho sobre a aplicação ou não da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.
Nos bastidores, a campanha avalia que, caso o governo Trump recue da medida ou reduza seu alcance, o senador deverá sustentar que a interlocução construída durante a viagem contribuiu para evitar prejuízos às empresas brasileiras e fortaleceu o discurso de que abriu caminho para uma agenda de maior aproximação comercial entre os dois países.
Flávio já começou a construir esta narrativa: durante a transmissão de hoje, ele afirmou ser a única chance do país não ser sobretaxado.
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