Finanças
Ministro afirma que Brasil não deixará mesa de negociação com EUA para reverter tarifaço
Márcio Elias Rosa confirmou que houve uma rodada de conversa com técnicos e que novas reuniões estão previstas para esta semana.
Apesar da proximidade do prazo estabelecido pelos Estados Unidos para aplicar novas tarifas a produtos nacionais, o Brasil não sairá da mesa de negociações para tentar reverter a medida. É o que afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, nesta terça-feira (7).
Segundo o ministro, uma nova reunião entre a equipe técnica do Brasil, que está em Washington, e integrantes do Escritório de Representação do Comércio americano (USTR, na sigla em inglês), ocorrerá durante o intervalo nas audiências que estão sendo realizadas no âmbito da investigação aberta com base na Seção 301.
— Foi uma conversa bastante proveitosa, de natureza técnica. Nós dividimos as discussões em tópicos e hoje tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito ao governo norte-americano, para que tenhamos uma atuação integrada, abordando o combate ao crime transnacional e ao crime organizado. Há um reconhecimento de que é possível avançarmos nesse ponto — disse o ministro.
O USTR concluiu em junho a investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções em uma lista específica. A medida foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao governo americano apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA e adotar sanções contra países-alvo.
A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025, por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O prazo legal para definição e eventual aplicação das medidas corretivas termina em 15 de julho de 2026.
Indagado sobre a atuação do pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, que está em viagem aos Estados Unidos buscando reverter o tarifaço, Márcio Elias afirmou que o Brasil não pretende incluir a questão política nas negociações com os americanos. — Não há espaço para discussão de natureza política, eleitoral, egoísta ou qualquer outro interesse que não seja o interesse do Brasil, a defesa da soberania e a defesa dos reais interesses do Brasil.
Rosa mencionou ainda que representantes de setores afetados estão nos Estados Unidos tratando do tema e estiveram antes com autoridades do governo brasileiro.
— Setores produtivos brasileiros que estão presentes na audiência pública estiveram conosco antes e, mesmo hoje, eu conversei com alguns que estão lá. Então, nós temos alguns setores produtivos presentes que foram defender a posição brasileira e os interesses do Brasil e têm dialogado conosco. Avaliamos isso como muito positivo — destacou o ministro.
Indagado sobre uma possível concessão ao governo americano no setor do etanol, aventada por Flávio Bolsonaro, o ministro disse que o tema não pode ser tratado nessa negociação. Ele lembrou que o açúcar brasileiro é sobretaxado nos Estados Unidos e que a discussão deve envolver toda a cadeia produtiva.
— Uma pena que algumas pessoas pensem de outra forma e queiram estabelecer um regime paritário entre o etanol brasileiro e o etanol americano, para que o etanol americano entre no país com facilidade. O Brasil vem negociando esse tema com muito cuidado. Este é um setor muito importante, sobretudo no Nordeste do país. Eventualmente, a abertura do mercado ao etanol norte-americano colocaria em risco a produção de etanol no Nordeste — finalizou o ministro.
Mais lidas
-
1ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas
-
2LOTERIAS
Horário da Quina de São João: veja como acompanhar o resultado
-
3ORGULHO PALMEIRENSE
Professor de Palmeira dos Índios é aprovado em curso nacional de elite do voleibol
-
4FENÔMENO NATURAL
Céu 'pega fogo' em Caracas: fenômeno raro pinta a Venezuela de vermelho
-
5ARAPIRACA
Governo de Alagoas autoriza início de obras de acesso às Vilas São José e Aparecida, em Arapiraca