Finanças

Efeito do tarifaço: fatia dos EUA nas exportações brasileiras tomba a menor patamar histórico no 1º semestre

Apenas 9,4% das vendas do Brasil para o exterior foram para o país, segundo a Amcham Brasil. Produtos sobretaxados puxaram queda

Agência O Globo - 07/07/2026
Efeito do tarifaço: fatia dos EUA nas exportações brasileiras tomba a menor patamar histórico no 1º semestre
Efeito do tarifaço: fatia dos EUA nas exportações brasileiras tomba a menor patamar histórico no 1º semestre - Foto: Reprodução

A tarifaço fez as exportações do Brasil para os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano recuarem ao menor patamar histórico, segundo levantamento feito pela Amcham Brasil , totalizando US$ 17,4 bilhões , o que representa uma queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, a fatia das vendas do comércio internacional brasileiro específicas aos americanos caiu para 9,4% , o índice mais baixo desde o início da série em 1997.

Para frear nova taxação:

Em audiência sobre tarifas nos EUA:

As transações comerciais entre os dois países totalizaram US$ 36,4 bilhões , com uma queda de 12,8% na comparação com janeiro a junho de 2025. Em paralelo, o Brasil ampliou suas exportações globalmente em 11,5% , destacando-se em remessas para parceiros relevantes, como a China , que teve um crescimento de 21,9% , e a União Europeia , com aumento de 12,8% .

Enquanto o Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) discute a possibilidade de ampliar tarifas adicionais ao Brasil a partir do próximo dia 15, Abrão Neto , presidente da Câmara de Comércio Americana no Brasil, destaca que esses dados demonstram o impacto do tarifaço de Donald Trump sobre o comércio bilateral.

“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 ”, disse em nota. “Caso sejam rompidos, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, acrescentou.

A maior parte da queda nas exportações brasileiras, segundo o levantamento da Amcham, são equipamentos em bens que foram sobretaxados pelo governo americano. Os produtos que sofreram tarifação registraram recuo de 16,6% nas exportações, enquanto aqueles que não foram tributados tiveram um declínio de 8,7% .

Na direção oposta, as importações feitas pelo Brasil dos EUA encolheram em 12,5% no período, principalmente devido à retração em máquinas e motores, que teve queda de 76% — equivalente a menos US$ 2,7 bilhões — e aviões e peças, que registraram retrô de 14,6% , ou US$ 100 milhões .

Míriam Leitão :

No mês de junho, o comércio começou a dar sinais de recuperação. No entanto, a Amcham calcula que o horizonte futuro é de incerteza, considerando a possível tributação adicional de importações brasileiras pelo USTR, além do conflito no Oriente Médio, que inclui produtos derivados de petróleo e gás.

No mês passado, após dez meses consecutivas de queda, puxadas pelas tarifas impostas em agosto por Trump, as exportações do Brasil para os EUA subiram 3,7% em valor, mesmo com um decréscimo em volume. Apesar disso, as vendas de metade dos dez principais produtos brasileiros para os Estados Unidos no primeiro semestre ocorreram, com as principais altas em aeronaves (32,9%), carne bovina (41,0%), óleos combustíveis (13,7%), equipamentos de engenharia (23,8%) e máquinas de energia elétrica (16,0%).

A Amcham enfatiza que os itens sobretaxados continuam a cair nas exportações para o mercado americano.