Finanças

Coca-Cola, Tesla e eBay pedem aos EUA isenção de tarifas sobre produtos brasileiros

Empresas americanas enviaram comentários ao Departamento de Comércio, que discute tarifas sobre diversos itens importados

Agência O Globo - 07/07/2026
Coca-Cola, Tesla e eBay pedem aos EUA isenção de tarifas sobre produtos brasileiros
Coca-Cola

Empresas americanas , como a gigante de bebidas Coca-Cola, a montadora de Elon Musk Tesla e o site de vendas de usados ​​eBay, recomendaram, no último dia 1º de julho, a não adoção de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Os comentários foram enviados ao Departamento de Comércio Americano (USTR, na sigla em inglês), que solicita manifestações das companhias do país. De acordo com essas companhias, as tarifas poderiam ser úteis o suficiente, a produção e o comércio de seus itens em solo americano.

A Coca-Cola solicita que o departamento mantivesse a autorização para insumos de laranja do Brasil e que acrescentasse uma exclusão equivalente ou regime de transição para insumos de limão, utilizados na fabricação de suas bebidas.

Alegações

A tributação adicional, afirma a Coca, “poderia provocar interrupções nas cadeias de suprimentos” e “elevar os custos de produção no país”. A de bebidas solicita ainda que, qualquer que seja a decisão do fabricante do USTR, "seja direcionada e operacionalmente viável, de forma a atingir esses objetivos sem causar interrupções indiretas à indústria americana de alimentos e bebidas".

Os Estados Unidos são o maior importador de suco de laranja congelada do país, segundo a plataforma ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Em 2026, o valor exportado de laranjas ao país já chega a US$ 139 milhões. Os EUA ocupam a 15ª posição como destino dos limões produzidos no Brasil.

Já a montadora de carros elétricos de Elon Musk, a Tesla, afirmou em comentário que a adoção de tarifas pode comprometer a competitividade de seus veículos. A montadora disse no documento que qualquer decisão do departamento “leva em consideração as limitações das cadeias de suprimentos e outros fatores que afetam atualmente os fabricantes americanos”.

A companhia afirmou no comentário que "investiu bilhões de dólares para estabelecer uma cadeia de quantidade robusta e verticalmente integrada nos Estados Unidos", mas que "certos insumos críticos ainda não podem ser obtidos nos Estados Unidos na escala e com a qualidade de decisão para sustentar uma intervenção americana competitiva". A marca cita que utiliza peças e componentes adquiridos no Brasil.

Diante da necessidade de uso dos produtos brasileiros, a Tesla pede, sem comentário, “medidas cuidadosamente calibradas, que levem em conta essa realidade”.

Até o comércio de usados ​​pede autorizado

Um dos maiores símbolos do mercado de segunda mão americano também diz que seria afetado com a tributação aos produtos do Brasil. É o que aponta o tradicional portal de comércio eletrônico eBay. Em um comentário longo, de três páginas, a empresa pede autorização sobre os produtos usados ​​brasileiros negociados na plataforma e afirma que "a autorizada evitaria aumento de custos para milhões de famílias americanas".

De acordo com o eBay, parte do comércio internacional de produtos comercializados na plataforma é feito por pequenos vendedores do país, e a implantação das tarifas “criaria custos fixos de importação”, que poderiam até mesmo superar o valor do produto. A imposição das tarifas, portanto, faria com que as operações deixassem de ser viáveis ​​diante do aumento do custo.

A decisão de cobrar tarifas, diz o eBay, implicaria num efeito reverso: o consumidor americano poderia passar a optar por produtos novos e mais baratos, migrando sua vontade de itens de segunda mão por itens importados que poderiam ser fabricados no Brasil.

O eBay argumenta ainda que tributar os itens de segunda mão não pressionaria os fabricantes brasileiros, já que as empresas recebiam pelas vendas dos produtos “zero” anos antes.

Ao todo, foram enviados ao USTR 365 comentários, entre empresas, associações e pessoas físicas.