Finanças

Brasil diz aos EUA que conclusões de investigação sobre trabalho forçado são 'arbitrárias'

Mauro Vieira afirmou que tarifas não são solução para desafios globais referentes às condições trabalhistas

Agência O Globo - 06/07/2026
Brasil diz aos EUA que conclusões de investigação sobre trabalho forçado são 'arbitrárias'
Mauro Vieira - Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira , classificou como "arbitrária" a conclusão do governo dos Estados Unidos sobre a investigação relativa à entrada no Brasil de produtos fabricados com trabalho solicitado. Segundo o chanceler brasileiro, a administração de Donald Trump ignorou o extenso arcabouço contra trabalho proposto que o país possui e que foi apresentado ao longo da investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês).

"O Brasil apresentou evidências que demonstram sua estrutura robusta de aplicação de normas penais e administrativas, suas obrigações internacionais vinculantes sujeitas à supervisão externa e suas disciplinas de comércio e investimento que condicionam a atividade econômica e a participação no mercado ao cumprimento de normas trabalhistas. O USTR não abordou de forma substantiva essas evidências", disse o ministro, listando as medidas adotadas pelo Brasil ao longo do documento.

De acordo com a manifestação brasileira, é incorreta a conclusão da gestão Trump de que as regras brasileiras e os acordos comerciais com outros países não proíbem legalmente a importação de produtos fabricados com trabalho imposto. O argumento é que a conclusão preliminar da investigação nem foi apresentada nem refutou as provas apresentadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Ao não abordar as especificidades da situação do Brasil, a conclusão do USTR é incompleta e arbitrária. Ela não reconhece — muito menos refuta — as evidências de que o arcabouço jurídico integrado e os esforços de fiscalização do Brasil já alcançam os resultados que o USTR descobriu buscar".

A manifestação faz parte do processo legal da investigação da Seção 301 da legislação comercial americana. Com base nas conclusões preliminares, o USTR recomendou a adoção de tarifas de importação para o Brasil e outros 59 países, que, segundo o órgão, falham em proibir a circulação de produtos fabricados com trabalho solicitado. As tarifas sugeridas são de 10% ou 12,5% - a do Brasil é a mais alta.

Além da purificação sobre a questão trabalhista, o Brasil é alvo de uma investigação específica do USTR sobre práticas desleais brasileiras que prejudicam o comércio americano. Nesse caso, as tarifas sugeridas são de 25% e uma decisão final deve ser tomada até o dia 15 deste mês.

Vieira também disse que o estatuto da Seção 301 não permite que o USTR ignore evidências incontroversas que contrariem suas premissas para impor a imposição de tarifas unilaterais.

"Infelizmente, é exatamente isso que o USTR apresentou em seu Aviso de Conclusões para justificar a imposição de tarifas de 12,5% sobre produtos do Brasil."

No documento protocolado no órgão americano, Vieira também argumentou que tarifaço não é o instrumento adequado para abordar a erradicação do trabalho imposta, considerada um desafio global. Segundo o ministro, as tarifas podem, inclusive, habilidades de cooperação multilateral que já se mostraram mais eficazes para este objetivo.

"Independentemente da ausência de fundamento na Seção 301 especificamente relacionada ao Brasil, a imposição de tarifas com base na Seção 301, neste contexto, seria equivocada e contraproducente. O Governo do Brasil tem preocupações fundamentais quanto ao uso da Seção 301 como instrumento para enfrentar questões globais de trabalho impostas. Tarifas amplas e unilaterais incluídas sãos para a complexo de erradicar o trabalho das cadeias de suprimentos globais e correm o risco de comprometimento de atividades cooperativas que se proporcionou mais eficazes."