Finanças
Menos crianças têm celular no Brasil: IBGE mostra recuo só na faixa etária de 10 a 13 anos
Entre 2024 e 2025, parcela que tinha aparelho para uso pessoal caiu de 56,7% para 55,2%, na contramão de tendência generalizada de aumento na população brasileira. ECA Digital e restrição nas escolas explicam recuo
A posse de telefone celular no Brasil continuou avançando de maneira generalizada entre a população brasileira em 2025. No entanto, houve uma exceção: as crianças de 10 a 13 anos foram o único grupo etário a registrar queda no indicador, segundos dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE.
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As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel para uso pessoal (Pnad TIC 2025).
Entre 2024 e 2025, a parcela de crianças nessa faixa etária que possuíam celular para uso pessoal caiu de 56,7% para 55,2% . Com isso, esse grupo continua sendo o que apresenta a menor proporção de pessoas com aparelho entre todas as faixas etárias.
— A gente vê cada vez mais uma discussão e uma preocupação com a segurança das crianças e com a exposição delas, por exemplo, às redes sociais. Isso pode estar relacionado a essa estagnação. A partir de 2025, uma restrição ao uso de celulares nas escolas foi rompida. Desde o ano passado, uma discussão intensa sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital , a ECA Digital, que esse ano entrou em vigor, pode estar influenciando essa queda — avalia o analista do IBGE, Gustavo Fontes .
Além da posse de celular, caiu também o uso de internet por essa faixa etária. Este grupo foi o único a ter queda no acesso à rede, passando de 84,9% em 2024 para 84,4% em 2025 .
Na direção oposta, os idosos foram os que mais ampliaram a posse de celular no último ano. Entre as pessoas com 60 anos ou mais , o percentual de proprietários do conjunto aumentou 2 pontos percentuais , o maior crescimento entre os grupos analisados, passando de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025 .
No total, em 2025, 167,4 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade tinham telefone móvel para uso pessoal no país, o que correspondia a 89,8% da população , segundo o IBGE.
Por que brasileiros não têm celular?
Em 2025, não havia no país 19,1 milhões de pessoas com 10 anos ou mais sem telefone celular para uso pessoal, equivalente a 10,2% da população . O percentual vem caindo ao longo dos anos: era de 18,7% em 2019 e passou para 11,1% em 2024 . Entre aqueles que não possuíam celular, 36,9% eram idosos e 27,4% tinham entre 10 e 13 anos.
O principal motivo apontado por quem não possuía celular foi não saber utilizar o aparelho, resposta dada por 31,1% dos entrevistados. Em seguida, aparecem a falta de necessidade ( 21,1% ) e o alto custo do equipamento ( 14,9% ). Juntos, esses três fatores representam cerca de dois terços das respostas.
Outros motivos citados foram preocupação com privacidade ou segurança ( 11,8% ), uso do celular de outra pessoa ( 10,1% ), outros motivos ( 8,9% ), custo do serviço de telefonia ( 1,9% ) e indisponibilidade do serviço nos locais frequentados ( 0,4% ).
A preocupação com privacidade ou segurança vem ganhando importância. O percentual de pessoas que apontou esse motivo mais que dobrou em três anos, passando de 4,8% em 2022 para 7,7% em 2024 e chegando a 11,8% em 2025.
Entre as crianças de 10 a 13 anos, esse foi justamente o principal motivo para não ter um celular, relatado por 32% dos entrevistados.
Segurança também pesa no uso da internet
Em 2025, 9,5% da população de 10 anos ou mais não usava a internet. Entre essas pessoas, o motivo mais frequente foi não saber usar a tecnologia ( 44,9% ), seguido pela falta de necessidade ( 27,8% ).
As razões econômicas, como o custo do serviço ou dos equipamentos, responderam juntas por 9% das respostas. Já a preocupação com privacidade ou segurança foi mencionada por 5,3% dos entrevistados, enquanto a falta de tempo apareceu em 4,6% dos casos.
O IBGE destaca que, desde 2022, quando esse motivo passou a ser pesquisado, a preocupação com privacidade ou segurança cresce ano após ano como justificativa para não usar a internet, acumulando alta de 3 pontos percentuais . Esse movimento foi mais intenso entre os grupos mais jovens, enquanto os motivos estão ligados à perda de importância.
Entre as crianças de 10 a 13 anos, que formam o segundo maior grupo entre os que não utilizam a internet, os motivos mais relatados foram a falta de necessidade ( 33,8% ) e a preocupação com privacidade ou segurança ( 30,3% ), o que, segundo o IBGE, pode refletir sobre recebimentos de pais e responsáveis.
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