Finanças

De Alexa a Smart TV: mais de 20% dos lares com internet já têm dispositivos inteligentes no Brasil

IBGE mostra avanço desses aparelhos nos domicílios brasileiros, enquanto streaming cresce e TV por assinatura continua perdendo espaço

Agência O Globo - 02/07/2026
De Alexa a Smart TV: mais de 20% dos lares com internet já têm dispositivos inteligentes no Brasil
Televisão

Dispositivos inteligentes, como assistentes virtuais , smart TVs e robôs aspiradores conectados , estão cada vez mais presentes nos lares brasileiros. Em 2025, mais de um em cada cinco domicílios com acesso à internet já tinha ao menos um desses aparelhos, o maior percentual da série histórica, iniciada em 2012.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel para uso pessoal (Pnad TIC 2025) , divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE.

Dos 76 milhões de residências com acesso à internet, 15,4 milhões (20,2%) possuíam algum dispositivo inteligente em 2025. O número representa um aumento de 2,1 milhões de residências em relação ao ano anterior e marca a primeira vez que esse percentual supera 20%. No início da série histórica, em 2022, eram 9,7 milhões de domicílios (14,3%).

Dispositivos inteligentes são aparelhos conectados à internet que podem ser controlados à distância ou por comando de voz. Outros exemplos incluem lâmpadas inteligentes, câmeras de segurança, fechaduras digitais e caixas de som conectadas.

Embora a presença desses aparelhos continue menor na zona rural (11,5%) do que na urbana (21,2%), o crescimento foi mais intenso no campo no último ano, com avanço de 2,7 pontos percentuais .

Streaming já está em quase metade dos lares com TV

A TV por assinatura manteve a tendência de perda de espaço. Em 2025, 18,3 milhões de domicílios com televisão tinham acesso ao serviço, o equivalente a 23,5% do total, com uma queda de 0,8 ponto percentual em relação a 2024. A presença do serviço era mais que o dobro nas áreas urbanas (24,9%) do que nas rurais (11,6%).

Entre os domicílios sem TV por assinatura, a principal justificativa foi a falta de interesse (62,2%), seguida pelo preço elevado (26,1%). Apenas 10% afirmaram que o streaming substituiu o serviço, enquanto 0,9% afirmaram que ele não estava disponível na região onde moravam.

O perfil de renda também difere entre os grupos. Nos domicílios com TV por assinatura, o rendimento médio mensal real per capita foi de R$ 3.746 , mais que o dobro dos R$ 1.871 registrados entre aqueles sem esse serviço.

Na direção oposta, o streaming pago contínuo em expansão. Em 2025, 33,4 milhões de domicílios tinham assinatura de plataformas de vídeo, 1,5 milhão a mais do que no ano anterior, um crescimento de 4,7% . Com isso, a participação passou de 43,4% para 44,4% dos lares com televisão.

Os domicílios com streaming também apresentaram renda mais elevada: o rendimento médio mensal real per capita foi de R$ 3.072 , ante R$ 1.454 entre aqueles sem acesso ao serviço.

A maior parte das residências com streaming (91%) também tinha acesso a canais de televisão. Desses domicílios, 85,7% receberam sinal de TV aberta e 38,9% tinham TV por assinatura, percentuais que recuaram ligeiramente em relação a 2024. Já a parcela de lares que utilizou apenas streaming, sem acesso à TV aberta ou por assinatura, ficou em 9% , acima dos 8,2% registrados no ano anterior e dos 6,1% transmitidos em 2023.

Televisão se estabiliza e computador volta a crescer

Em 2025, 93,9% dos 80 milhões de domicílios particulares permanentes do país pertencente à televisão. O número de residências com o aparelho aumentou em 1,6 milhão em relação a 2024. Pela primeira vez desde o início da série, em 2016 , o percentual estável na comparação anual, interrompeu a sequência de quedas observadas nos anos anteriores.

Outro indicador que mudou de trajetória foi o dos microcomputadores. Após anos de recuo, a participação de domicílios com esse equipamento voltou a crescer, ainda que de forma discreta, passando de 38,5% em 2024 para 38,7% em 2025. Segundo o IBGE, é a primeira vez desde o início da série histórica que o indicador deixa de apresentar queda, sinalizando uma possível estabilização.