Finanças

Alcolumbre encomendou estudo a assessoria do Senado sobre implementação de escala 6x1 de forma imediata

Intenção do Senado é fazer alteração no texto sem que o projeto precise passar novamente pela Câmara dos Deputados

Agência O Globo - 02/07/2026
Alcolumbre encomendou estudo a assessoria do Senado sobre implementação de escala 6x1 de forma imediata
Davi Alcolumbre - Foto: © Foto / Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recomendou à assessoria técnica da Casa um estudo sobre como alterar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, para que a redução da jornada aconteça sem o período de transição. O pedido foi relatado a líderes sindicais que se reuniram com Alcolumbre na quarta-feira e confirmado pelo GLOBO com membros do Senado.

A ideia é fazer essa alteração por meio de uma emenda de redação, o que possibilitaria que o texto não precisasse voltar para nova análise na Câmara. Interlocutores do presidente do Senado confirmaram que o estudo foi encomendado nesta quarta.

De acordo com um participante do encontro, essa posição de Alcolumbre surpreendeu positivamente os sindicalistas, já que havia uma avaliação de que o parlamentar poderia criar dificuldades para o avanço do tema no Senado. A PEC do fim da escala 6x1 foi aprovada na Câmara em maio e, desde então, não avançou no Senado.

Sergio Nobre , presidente da CUT, afirmou que as centrais avaliam como positiva a sinalização de Alcolumbre em não ter o período de transição.

— Tem todas as condições para isso, até que as empresas implementem isso de uma vez só. É muito mais racional fazer de uma vez do que a conta-gotas — afirmou o sindicalista.

O texto aprovado na Câmara prevê que o fim da escala 6x1, com a garantia de duas folgas semanais, passe a valer 60 dias após a promulgação do texto. A ideia de Alcolumbre seria que isso acontecesse de forma imediata à promulgação do texto. Essa era uma demanda de integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva , mas o Planalto teve de ceder para garantir o avanço da PEC pelos deputados.

O tema é considerado uma das principais apostas do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para propor a candidatura do petista à reeleição, diante do forte apelo popular e de seu alcance.

Em entrevista concedida após a reunião, o senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que Alcolumbre se comprometeu a tentar fazer uma emenda de redação para mudar a transição.

— O Davi chegou a dizer que a transição é muito longa, o que mostrou uma grande disposição de que a PEC seja aprovada o mais rápido possível. Ele disse que o ideal não é ter um período de transição, como na Constituinte.

A líder do governo, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que ainda vai definir calendário de votação da proposta com Alcolumbre. Sindicalistas que participaram da reunião de quarta disseram que Alcolumbre não sinalizou um calendário de tramitação, mas deixou o encontro com a impressão de que isso deverá ocorrer no mais tardar até agosto.

Nesta terça-feira, o presidente do Senado havia reagido à pressão pela votação da proposta que estabelece o fim da escala. Em discurso no Plenário, Alcolumbre criticou autoridades do governo.

— Eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6x1 precisa ser deliberada agora, antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso — afirmou.

Segundo ele, a pressa do governo para votar o projeto antes da eleição é para que os parlamentares se sintam constrangidos a negar a proposta.

— Não seria um truque de dizer para o outro: 'Estou te ameaçando, porque se você não votar, você vai ficar contra 37 milhões de trabalhadores que querem um dia a mais de descanso?' — completou.