Finanças
Fim da escala 6x1: Senado começa a debater PEC nesta semana
Alcolumbre recebe centrais sindicais, integrantes do governo e autores da proposta antes de sessão temática sobre redução da jornada
Um mês depois de ser aprovada pela Câmara dos Deputados, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 começa a ser discutida no Senado nesta semana.
Na quarta-feira, representantes do governo, centrais sindicais, prefeitos e parlamentares participam de uma sessão de debates sobre uma proposta, que prevê a redução da jornada de trabalho no país. O grupo também deverá se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar destravar a tramitação do texto.
Aprovada pela Câmara em 27 de maio, a proposta chegou ao Senado no dia seguinte, mas ainda não foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira etapa formal de análise. A reunião ea sessão temática representa, portanto, a primeira movimentação política em torno da PEC desde sua chegada à Casa.
Em meio ao distanciamento entre o Palácio do Planalto e Alcolumbre, após a exclusão do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), o governo pretende usar uma discussão como forma de manter o tema em evidência. A redução da jornada é uma das bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O encontro foi articulado por parlamentares da base governamental em conjunto com o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que liderou a mobilização nacional pelo fim da escala 6x1. Participaram da reunião a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), o senador Paulo Paim (PT-RS), o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora da PEC na Câmara.
A sessão foi aprovada ainda em maio, a partir de requerimento do senador Dr. Hiran (PP-RR), e reunirá representantes de trabalhadores, empresários e especialistas. Embora não tenha efeito deliberativo, o debate será o primeiro fórum oficial do Senado para discutir a proposta antes do início da tramitação.
O texto aprovado pela Câmara reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, garante dois dias de descanso remunerado por semana e estabelece um período de transição de 14 meses para adaptação das empresas. Na prática, a mudança tende a substituir a escala 6x1 pelo modelo 5x2, preservando a possibilidade de negociação de jornadas por meio de acordos e convenções coletivas.
A movimentação em torno da PEC da escala 6x1 contrasta com o ritmo de outra proposta considerada prioritária pelo governo Lula. Aprovada em março pela Câmara dos Deputados, a PEC da Segurança Pública ainda aguarda despacho à CCJ do Senado.
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