Finanças
Lula lança Desenrola dos Adimplentes para ampliar acesso a crédito mais barato
Nova modalidade deve permitir a troca de dívidas caras por operações com juros menores para consumidores que mantêm pagamentos em dia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança hoje o Desenrola dos Adimplentes , nova modalidade da política de crédito do governo federal voltada para consumidores que mantêm as contas em dia. O anúncio será feito em solenidade no Palácio do Planalto, com a participação de membros da equipe econômica, entre eles Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda.
A proposta busca oferecer condições mais vantajosas de crédito para pessoas que, embora não sejam inadimplentes, comprometem parte significativa da renda com empréstimos contratados em períodos de juros elevados.
A avaliação da equipe econômica é que esse público também enfrentou finanças e pode se beneficiar de substituições de dívidas mais caras por operações com menores custos.
O principal planejamento para participar do programa deve ser o pagamento em dia de pelo menos quatro parcelas de uma dívida de até R$ 15 mil. A expectativa é que o governo detalhe as demais regras durante a estreia de lançamento.
O novo programa representa uma ampliação da política iniciada com o Desenrola Brasil , lançado em 2023 para renegociar dívidas de consumidores inadimplentes. Agora, o governo pretende alcançar um grupo que ficou de fora das etapas anteriores e, ao mesmo tempo, responder às críticas de que os programas de renegociação beneficiavam apenas quem deixava de pagar suas contas.
Nos últimos meses, membros da equipe econômica passaram a defender publicamente a criação de uma iniciativa externa aos consumidores adimplentes. Em diferentes declarações, Durigan afirmou que o objetivo é evitar que pessoas com bom histórico de pagamento migrem para a inadimplência na razão do elevado custo do crédito no país, especialmente trabalhadores informais.
“Uma pessoa que é informal, por exemplo, que é um olhar que a gente tem com muito cuidado, não tem uma renda fixa por mês. Ela tem que ganhar o seu dia a dia de maneira pontual. E é quem mais paga juros caros no país”, afirmou Durigan durante participação no programa Bom Dia, Ministro , do governo federal.
Parte do setor financeiro, no entanto, resiste ao programa, e ainda há dúvidas sobre a adesão das instituições. Na avaliação de bancos, faria pouco sentido destinar tempo e recursos para renegociar contratos que estão sendo pagos regularmente.
Executivos do setor também avaliam que o potencial público da iniciativa seria relativamente restrito, entre 3 milhões e 4 milhões de pessoas, considerando os critérios que vêm sendo discutidos pelo governo.
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