Finanças
Luana Piovani é contratada por R$ 300 mil por sindicato de funcionários do Banco Central. Entenda
Patrocínio foi firmado por diretoria regional do Distrito Federal e expõe racha entre servidores
A atriz Luana Piovani foi contratada pelo Sindicato de Servidores do Banco Central (Sinal) do Distrito Federal por R$ 300 mil para gravar um vídeo contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê autonomia financeira e administrativa à autoridade monetária.
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O pagamento foi autorizado e assinado em ata de reunião no dia 9 de junho, mesma data em que a atriz publicou o vídeo patrocinado em sua conta no Instagram. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo EXTRA.
Na publicação, a atriz indicou o conteúdo pago com a hashtag, e marcou os perfis do Sinal Nacional e do conselho regional do DF. "A Pec do Banco Central não é sobre autonomia, ela pretende mudar a natureza jurídica da instituição. Essa PEC 65 é um tapa na cara do povo!”, diz a legenda do post.
Atriz se defende
Na noite desta quinta-feira, Piovani publicou um vídeo em suas redes destacando que a publicação explicitava o conteúdo patrocinado.
"É superimportante que todas as publicidades sejam óbvias que estão sendo publicidade. Isso é superimportante, para o consumidor saber. É isso, para vocês não ficarem assim, tão invejosinhos", afirmou.
O que diz o sindicato
Em nota, a regional do DF do sindicato afirma que o posicionamento contrário à PEC é “embasado no mandato concedido pela maioria dos servidores aos quais representa”, e ressaltou a autonomia para celebrar contratos. "O SINAL-DF reafirma, por fim, seu compromisso em dar visibilidade a uma pauta que precisa ter interlocutores capazes de tornar seu entendimento, que é bastante complexo, algo acessível a toda população, uma vez que as suas consequências impactarão toda sociedade, podendo ser desastrosas para o país”, diz a nota.
PEC
A PEC foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado no dia 10 de junho e aguarda votação no Plenário. Na prática, a proposta retira a autoridade monetária da vinculação administrativa a ministérios e estabelece um regime jurídico próprio para a instituição, definida no texto como uma entidade pública de natureza especial responsável por funções de regulação, supervisão e fiscalização do sistema financeiro.
A contratação da publicidade da atriz acontece em meio a um racha entre os servidores em torno do posicionamento pela proposta.
Enquanto a regional do DF manifesta posição contrária, mais de 30 ex-dirigentes da autoridade monetária assinaram uma carta em defesa do projeto nesta sexta-feira. Conforme o colunista Fabio Graner, o texto foi articulado pela Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB), entidade que representa uma parcela dos servidores do BC, que estão divididos sobre o tema.
Por outro lado, na última semana o Sinal publicou nota criticando a proposta que tramita no Congresso. "Nenhum banco central relevante, nem o Federal Reserve dos Estados Unidos, nem o Banco da Inglaterra, acumula a combinação de isenção orçamentária e blindagem parlamentar que a PEC 65 pretende criar", afirma o sindicato.
Dirigentes e ex-dirigentes do Sinal ouvidos pelo GLOBO relatam discordâncias com o conteúdo pago e dizem que o episódio expõe o clima de divisão que toma o sindicato atualmente. A avaliação é de que, além do valor alto, a ação gera suspeita sobre a autoridade técnica da instituição.
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