Finanças

Banco Central vê risco de alta da inflação com estímulos do governo Lula

Autoridade monetária afirma que medidas fiscais e de crédito podem impulsionar o consumo e dificultar a convergência da inflação para a meta

Agência O Globo - 25/06/2026
Banco Central vê risco de alta da inflação com estímulos do governo Lula
- Foto: Reprodução

O Banco Central (BC) afirmou, em relatório divulgado nesta quinta-feira, que as medidas de estímulo à economia anunciadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva podem aumentar os riscos de alta da inflação.

Segundo a autoridade monetária, políticas fiscais e de crédito adotadas recentemente têm potencial para impulsionar o consumo das famílias, o que pode deteriorar o cenário inflacionário.

O BC já havia mencionado, na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta segunda-feira, que estímulos à demanda representam risco para a alta de preços. No Relatório de Política Monetária apresentado nesta quinta, a instituição citou diretamente as medidas do governo como um dos fatores de pressão sobre a inflação em seu balanço de riscos.

“Estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”, apontou o BC no relatório.

Atualmente, a prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, acumula alta de 4,80% em 12 meses, acima da meta de 3% estabelecida para este ano.

“Permanecem incertezas relevantes acerca da magnitude de seu impacto sobre a atividade econômica e sobre a inflação, dadas as especificidades e detalhes envolvendo cada política”, detalhou o Banco Central no documento.

Cálculos do economista do Insper Marcos Mendes apontam que as medidas anunciadas pelo governo neste ano já somam R$ 215 bilhões em estímulos à economia, o equivalente a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Do total da expansão fiscal, que considera a soma dos gastos com a renúncia de receita, R$ 97 bilhões, ou 45%, correspondem a despesas financeiras. Entram nessa rubrica os recursos disponibilizados pelo Tesouro para linhas de crédito subsidiado destinadas à aquisição de caminhões, ônibus e carros para taxistas e motoristas de aplicativo, todas operadas pelo BNDES.

Entre as medidas citadas também está o Desenrola 2.0, uma das principais bandeiras do governo Lula para o ano eleitoral. O programa permite a renegociação de dívidas com acesso a crédito mais barato.

A preocupação do Banco Central é que a economia cresça acima de seu potencial. Considerando essas novas medidas, a instituição revisou a projeção de crescimento da economia brasileira de 1,6% para 2%.

De acordo com o BC, a revisão ocorre em meio a “estímulos de natureza fiscal e creditícia” lançados pelo governo neste ano.