Finanças
Banco Central eleva projeção de crescimento do PIB para 2% em 2026
Estimativa anterior era de 1,6%; revisão considera desempenho do primeiro trimestre, mercado de trabalho e estímulos ao crédito
O Banco Central (BC) revisou, nesta quinta-feira, a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,6% para 2%. A atualização considera a força do mercado de trabalho, a surpresa positiva no desempenho do primeiro trimestre e medidas de estímulo ao crédito adotadas pelo governo.
Segundo o BC, a atividade econômica registrou aceleração no período recente, com resiliência do mercado de trabalho e melhora nas perspectivas de setores importantes da economia.
“A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi revisada de 1,6% para 2,0% principalmente pela surpresa positiva no resultado do primeiro trimestre e pela melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa”, informou o Banco Central no documento.
A revisão ocorre também em meio a medidas de “estímulos de natureza fiscal e creditícia” lançadas pelo governo neste ano eleitoral. De acordo com cálculos do economista do Insper, Marcos Mendes, as iniciativas somam R$ 215 bilhões, o equivalente a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB), que representa o total de bens e serviços produzidos pela economia.
No total da expansão fiscal, que considera a soma dos gastos com renúncia de receita, R$ 97 bilhões, ou 45%, correspondem a despesas “financeiras”. Nessa rubrica estão os recursos que o Tesouro disponibiliza para linhas de crédito subsidiado destinadas à aquisição de caminhões, ônibus e carros para taxistas e motoristas de aplicativo, todas operadas pelo BNDES.
Inflação
Em relação à inflação, o Banco Central detalhou a projeção para 2028, que subiu de 3,50% para 3,69%. Atualmente, a autoridade monetária considera o primeiro trimestre de 2028 como horizonte relevante para suas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic.
Na última ata de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC projetou que a inflação pode convergir para a meta de 3,0% nesse período, que passará a ser o horizonte relevante na próxima reunião do comitê, marcada para agosto.
Em sua última reunião, realizada em 17 de junho, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano.
Na ata publicada nesta semana, o comitê avaliou cenários de pausa e de retomada do processo de queda da Selic, com o objetivo de conduzir a inflação à meta de 3,0% com menor oscilação no crescimento econômico do país.
Para este ano, o Banco Central manteve a projeção de inflação em 5,2%. Para 2027, a estimativa é de 3,7%.
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