Finanças

Jeff Bezos sugere levar indústrias poluentes para a Lua como alternativa ambiental

Fundador da Amazon defende transferir atividades industriais para fora da Terra e aposta na colonização lunar

Agência O Globo - 24/06/2026
Jeff Bezos sugere levar indústrias poluentes para a Lua como alternativa ambiental
Jeff Bezos - Foto: Divulgação

O bilionário Jeff Bezos defendeu que indústrias poluentes sejam transferidas para a Lua como forma de reduzir impactos ambientais e preservar a Terra. A proposta foi apresentada durante a conferência VivaTech, realizada em Paris, na última quarta-feira (17), quando o fundador da Amazon descreveu o satélite natural como uma “dádiva” capaz de impulsionar o crescimento econômico e ajudar a manter o planeta habitável. As informações foram divulgadas pela agência EFE e pelo jornal britânico The Independent.

Durante o evento, Bezos afirmou que a visão de longo prazo da Blue Origin, sua empresa aeroespacial, é retirar da Terra atividades industriais consideradas altamente poluentes. Segundo ele, a industrialização do espaço permitiria ao planeta recuperar parte das condições ambientais anteriores à Revolução Industrial.

“Nossa visão de longo prazo, nosso sonho, é que todas as indústrias poluentes possam ser operadas fora da Terra. Este planeta-jardim pode retornar ao seu estado anterior à Revolução Industrial. Esse é o único aspecto em que o mundo está pior hoje do que estava há 500 anos”, afirmou Bezos.

A colonização da Lua está entre os principais objetivos da Blue Origin. Embora a companhia já tenha apresentado projetos ligados à exploração lunar, esta foi uma das declarações mais amplas de Bezos sobre a possibilidade de deslocar atividades industriais para o espaço.

De acordo com o empresário, uma das primeiras áreas que poderiam ser levadas para fora da Terra é a operação de centros de dados voltados à inteligência artificial. Bezos avalia que a demanda crescente por processamento exigirá estruturas tecnológicas cada vez maiores, que poderiam funcionar em ambientes espaciais. A proposta, no entanto, envolve desafios significativos, como alto consumo de energia, necessidade de resfriamento e disponibilidade limitada de recursos, especialmente água, na superfície lunar.

No início deste ano, a Blue Origin apresentou a autoridades reguladoras dos Estados Unidos uma proposta para construir uma rede com mais de 50 mil satélites destinada a suportar cargas de trabalho relacionadas à inteligência artificial. A empresa também firmou contratos bilionários com a Nasa para desenvolver veículos de pouso e lançamento do programa Artemis, que pretende levar seres humanos de volta à Lua antes do fim desta década.

Além disso, a agência espacial norte-americana concedeu à companhia um novo contrato para transportar dois veículos exploradores à superfície lunar. Os equipamentos deverão auxiliar futuras missões tripuladas e ampliar a capacidade de operação humana no satélite.

As ambições de Bezos têm paralelo com os projetos do bilionário Elon Musk, fundador da SpaceX, que também defende a expansão da presença humana no espaço e a criação de estruturas permanentes na Lua e em Marte. Musk já afirmou que parte da infraestrutura necessária para a inteligência artificial poderá ser construída fora da Terra, como forma de ampliar a capacidade da tecnologia.

Na visão de Bezos, a Lua poderia funcionar como uma espécie de zona industrial do futuro. Fábricas, centros de dados e outras atividades que hoje geram emissões e impactos ambientais seriam deslocados para o espaço, permitindo que a Terra se tornasse um ambiente mais preservado.

Apesar dos avanços, a Blue Origin enfrentou dificuldades recentes em seus projetos. O foguete New Glenn sofreu uma explosão durante testes em uma plataforma de lançamento em Cabo Canaveral, na Flórida, causando danos às instalações da empresa. Ainda assim, o CEO da companhia, Dave Limp, afirmou esperar que os voos sejam retomados antes do fim deste ano.