Finanças

Segurança no Estreito de Ormuz muda a cada hora, diz presidente de seguradora

Evan Greenberg, diretor executivo da Chubb, afirma que minas representam a maior incerteza para a navegação na região

Agência O Globo - 21/06/2026
Segurança no Estreito de Ormuz muda a cada hora, diz presidente de seguradora
- Foto: Associated Press

Os esforços dos Estados Unidos para abrir canais de navegação no Estreito de Ormuz devem permitir uma retomada gradual do tráfego de navios, embora a segurança na região continue instável, afirmou Evan Greenberg, diretor executivo da Chubb Ltd.

“A situação muda de um dia para o outro, de uma hora para a outra”, disse Greenberg, cuja empresa está entre as principais seguradoras do transporte marítimo comercial, durante participação no programa Sunday Morning Futures, da Fox News.

Segundo ele, “as minas são a maior incerteza” no estreito, enquanto negociadores dos EUA e do Irã mantinham conversações na Suíça sobre um cessar-fogo permanente e garantias de livre passagem pela via navegável.

“Estamos falando mais de um ambiente de zona de guerra”, afirmou. “Apenas um canal estreito está realmente sendo usado para o tráfego, o que limita o número de navios que podem entrar e sair. A Marinha vem trabalhando para abrir um conjunto mais amplo de canais e, à medida que isso acontecer, o tráfego marítimo aumentará.”

Passagem de 55 navios

O petróleo continuou fluindo mesmo diante das tentativas do Irã de exercer controle sobre a região, incluindo o anúncio feito no sábado de que havia fechado o estreito mais uma vez. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou que o tráfego de embarcações comerciais aumentou no sábado, com a passagem de 55 navios mercantes transportando cargas e mais de 17 milhões de barris de petróleo.

A Lloyd’s of London Ltd. e a Chubb anunciaram na sexta-feira a criação de um consórcio conjunto de US$ 400 milhões para cobertura de riscos de guerra marítima, oferecendo seguro a empresas que utilizam a rota pelo Estreito de Ormuz.

A Corporação de Financiamento Internacional para o Desenvolvimento dos EUA anunciou, em março, um programa de resseguro de US$ 20 bilhões. A Chubb e outras empresas aderiram à iniciativa em abril, acrescentando mais US$ 20 bilhões em recursos.

As Forças Armadas dos EUA afirmam ter atuado na defesa de navios comerciais no Estreito de Ormuz contra ameaças recorrentes, de acordo com documento enviado ao setor. Os Estados Unidos passaram a orientar embarcações a atravessarem o estreito com os sinais desligados, utilizando uma rota que contorna a costa de Omã, medida que ajudou a impulsionar os fluxos de petróleo e de cargas.

Incerteza crônica

Apesar do aumento no tráfego, a navegação pelo Estreito de Ormuz segue condicionada à evolução diária da segurança regional, em um cenário marcado por riscos militares, disputas diplomáticas e forte impacto sobre o mercado global de energia.