Finanças
Durigan diz que Trump quer ajudar família Bolsonaro, mas admite debate sobre etanol e big techs
Presidente dos EUA afirmou que o Brasil “tem sido um pouco perigoso politicamente”; Fazenda defende negociação técnica
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstra interesse político em ajudar a família Bolsonaro. Segundo ele, porém, o Brasil pode discutir com a Casa Branca temas específicos apontados como justificativa para a imposição de um novo tarifaço contra produtos brasileiros, como o etanol e a regulação das big techs.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendou a adoção de tarifas diante de suspeitas de práticas desleais e de falhas em barrar a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. As medidas, somadas, podem encarecer em 37,5% as exportações brasileiras para o mercado americano. Nesta quarta-feira, Trump afirmou que o Brasil “tem sido um pouco perigoso politicamente”.
“Eu acho que existe um interesse econômico, além do interesse político de ajudar a família Bolsonaro. Existem, sim, preocupações econômicas que me chegam, seja de empresas, setores ou câmaras de comércio. Existe uma preocupação das empresas de tecnologia com a regulação que vai se dar no Brasil, com a tributação que se vai instituir no Brasil. Isso é natural”, disse Durigan, em entrevista ao Metrópoles.
“O etanol é uma questão específica, assim como a regulação de big techs. A gente poderia discutir essas coisas setoriais. O que não cabe é dizer que o país todo tem um problema, como antes foi alegado, de caça às bruxas, de que o Judiciário está perseguindo um determinado cidadão. Isso não faz sentido”, completou.
Segundo Durigan, o Brasil seguirá negociando com os Estados Unidos por meio da diplomacia e de argumentos técnicos. Ele ressaltou, no entanto, que há limites, como o Pix, que está fora da mesa de negociação, e a soberania nacional no combate ao crime organizado, atribuição que deve permanecer sob responsabilidade dos policiais brasileiros, além do respeito ao processo eleitoral.
Para o secretário-executivo, a declaração de Trump não se justifica, porque a preocupação do Brasil, neste momento, é manter a estabilidade institucional e garantir eleições livres — ao contrário do que, segundo ele, ocorreu em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro.
“O que vamos ter este ano no país? Vamos ter eleições livres, as pessoas vão poder votar, não vai ter a Polícia Rodoviária Federal bloqueando ônibus de pessoas se deslocando para votar, não vai ter questionamento das eleições. Vamos seguir com estabilidade. Isso é bom para a economia”, afirmou. “Eu não vejo nenhuma razão para declaração desse tipo, a não ser criar instabilidade, querer atuar em favor da oposição.”
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