Finanças
Petróleo se aproxima de cotação pré-guerra após acordo entre EUA e Irã
Barril do Brent caiu a US$ 77, menor patamar desde 2 de março; petroleiros começam a deixar o Estreito de Ormuz após bloqueio marítimo
O petróleo chegou a cair 3% nesta quinta-feira e atingiu US$ 77 , aproximando-se dos níveis registrados antes da guerra, após a assinatura de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito. O entendimento libera o Estreito de Ormuz, rota por onde vimos cerca de 20% do petróleo mundial antes da crise. A expectativa do mercado é que a retomada do fluxo de petroleiros contribua para reduzir os preços da commodity, que chegou a superar US$ 120 durante os bombardeios.
A entrega das embarcações já indica os primeiros sinais de normalização. Três superpetroleiros carregados, controlados pela empresa saudita Bahri, que estavam retidos no Golfo Pérsico, deixaram o Estreito de Ormuz nesta manhã. Um navio com gás natural liquefeito do Catar e um petroleiro chinês também partiram da região, de acordo com dados de monitoramento marítimo.
— A probabilidade de o Estreito de Ormuz permanecer aberto é agora maior do que em qualquer outro momento durante uma crise — afirmou Aldo Spanjer, chefe de estratégia de energia do BNP Paribas SA.
No entanto, ele ponderou que, “mesmo em um cenário ideal, serão necessários vários meses para que os fluxos de petróleo voltem à normalidade”.
O Irã anunciou o fechamento do Estreito depois de ser atacado pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro, interrompendo eficazmente a rota marítima. Posteriormente, os EUA também impuseram um bloqueio à passagem, em uma tentativa de ampliar a pressão sobre a República Islâmica.
A crise levou os contratos futuros do Brent a ultrapassarem US$ 126 por barril em abril, o maior nível desde 2022. No entanto, à medida que o processo diplomático avançou e os produtores encontraram alternativas para escoar cargas do Golfo, a escalada dos preços começou a perder força.
Os contratos futuros do Brent acumularam queda de cerca de 11% nesta semana e caminharam para a segunda perda semanalmente consecutiva. Com o novo retrocesso registrado quinta-feira, o petróleo nesta referência global está um pouco mais de US$ 5 acima do preço observado no início da guerra.
A cotação de US$ 77 representa o menor nível desde 2 de março. Por volta das 8h, o barril do Brent seguiu em queda, mas já era negociado a US$ 78,07, recuo de 1,9%. O WTI, referência para o mercado norte-americano, com entrega em julho, caiu 2,5%, para US$ 74,85 por barril.
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