Finanças

Mesmo com freio no PIB, três estados devem crescer acima de 3% em 2026

Economistas do Santander projetam alta em todas as unidades da federação, mas apontam desaceleração generalizada no país

Agência O Globo - 18/06/2026
Mesmo com freio no PIB, três estados devem crescer acima de 3% em 2026
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

As projeções para o PIB estadual em 2026 indicam uma desaceleração disseminada no país em relação a 2025. Ainda assim, todas as unidades da federação devem registrar crescimento, com destaque para os estados do Norte.

O Tocantins lidera a lista, com alta estimada de 3,85%, seguido por Roraima, com 3,62%, e Amazonas, com 3,04%. O Amapá aparece logo depois, com 2,96%. Na outra ponta, o Rio de Janeiro tem a menor projeção, com avanço de 1,09%.

Os dados fazem parte de estudo elaborado pelos economistas Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, do Departamento Econômico do Santander. O levantamento reúne informações do PIB regional do IBGE até 2023 e projeções para o período de 2024 a 2027.

Projeção de PIB dos estados para 2026 (em %):

Tocantins — 3,85

Roraima — 3,62

Amazonas — 3,04

Amapá — 2,96

Mato Grosso — 2,92

Acre — 2,82

Pará — 2,76

Rondônia — 2,70

Distrito Federal — 2,35

Paraíba — 2,33

Santa Catarina — 2,24

Maranhão — 2,16

Goiás — 2,15

Espírito Santo — 2,10

São Paulo — 1,80

Minas Gerais — 1,79

Piauí — 1,76

Alagoas — 1,70

Ceará — 1,65

Pernambuco — 1,56

Sergipe — 1,55

Rio Grande do Norte — 1,39

Bahia — 1,34

Mato Grosso do Sul — 1,26

Paraná — 1,13

Rio Grande do Sul — 1,12

Rio de Janeiro — 1,09

Outros estados do Norte também aparecem entre os melhores desempenhos, como Pará (2,76%), Acre (2,82%) e Rondônia (2,70%). O quadro reforça a predominância das regiões Norte e Centro-Oeste entre as economias estaduais com crescimento mais acelerado.

Regiões menos desenvolvidas crescem mais

Segundo Gabriel Couto, do Santander, o Norte, por ter a menor participação no PIB nacional entre as regiões do país, costuma apresentar taxas de crescimento mais elevadas ao longo dos anos. Ele explica que esse movimento foi observado em 2021, teve breve interrupção nos dois anos seguintes e deve voltar a colocar a região em posição de liderança a partir de 2024.

— Tocantins e Roraima têm se beneficiado da expansão da fronteira agrícola, o que acaba impulsionando também os demais setores. Já o Amazonas tende a se beneficiar da resiliência do consumo das famílias, sustentando a indústria de transformação e os serviços, além da retomada da agropecuária após dois anos de contração — afirmou o economista.

Em 2025, os estados que lideravam o crescimento eram Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com altas de 8,3% e 7%, respectivamente. Em 2026, porém, os estados do Centro-Oeste perdem protagonismo e passam a registrar taxas mais próximas da média nacional.

— Assim como em 2023, 2025 foi marcado por recorde nas safras de grãos, o que impulsionou o crescimento do Centro-Oeste. Em 2026, apesar de novo ano de volumes fortes na produção agrícola, o crescimento é menor devido à base de comparação mais elevada. Assim, a região permanece como destaque, mas perde a liderança no crescimento — explicou Couto.

Menor desigualdade

Outro aspecto observado no estudo é a redução das diferenças entre os estados. Em 2025, a distância entre os líderes e as unidades da federação com menor crescimento era bastante elevada. Em 2026, os números ficam mais concentrados: o melhor resultado projetado é de 3,85%, enquanto apenas Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul aparecem próximos de 1%.

Esse comportamento sugere uma normalização após um ano de forte expansão em algumas economias estaduais.

Entre os estados do Sudeste, o desempenho segue relativamente modesto. Espírito Santo (2,10%), Minas Gerais (1,79%) e São Paulo (1,80%) devem crescer acima do Rio de Janeiro (1,09%), mas sem figurar entre os líderes nacionais. O Rio permanece com uma das menores taxas do país tanto em 2025 (0,9%) quanto em 2026 (1,09%).

— Além de ter a maior economia entre as regiões, o que leva o Sudeste a frequentemente crescer em ritmo próximo ao agregado nacional, a região tende a sofrer mais com as condições ainda restritivas do ciclo monetário — observou o economista. — Assim, a participação maior de setores como indústria e serviços tende a pesar mais sobre o resultado do Sudeste em um contexto de desaceleração.

Santa Catarina segue em destaque

No Sul, Santa Catarina continua se destacando regionalmente, com crescimento estimado de 2,24% em 2026, acima de Paraná (1,13%) e Rio Grande do Sul (1,12%). O relatório aponta que a safra recorde de 2025 contribuiu para o desempenho econômico da região.

No Nordeste, Maranhão (2,16%) e Paraíba (2,33%) lideram as projeções, enquanto Bahia (1,34%), Rio Grande do Norte (1,39%) e Sergipe (1,55%) aparecem entre os desempenhos mais fracos. O setor de serviços segue puxando a economia regional, enquanto a agropecuária foi beneficiada pelo ciclo recente de safras.

Desaceleração do PIB continua em 2027

As projeções estaduais para 2027 reforçam a expectativa de desaceleração. Nenhum estado aparece com crescimento acima de 3,1%, e a maior parte das unidades da federação se concentra entre 1% e 2%.

Tocantins (2,9%), Mato Grosso (2,7%), Amazonas (2,5%) e Pará (2,3%) continuam entre os destaques, mas sem as taxas excepcionalmente altas observadas nos anos anteriores.

Segundo Couto, os dados estaduais seguem refletindo fatores nacionais, como mercado de trabalho, política monetária e desempenho da agropecuária. O estudo destaca ainda que eventos climáticos permanecem entre os principais riscos para o cenário projetado, especialmente diante da possibilidade de um El Niño forte no fim deste ano e no início de 2027.