Finanças

Impulsionado pelo agro, Centro-Oeste lidera crescimento do PIB no país desde 2002, aponta FGV

Estudo da FGV Ibre, com dados do IBGE, mostra que a economia regional cresceu acima da média nacional entre 2002 e 2023

Agência O Globo - 17/06/2026
Impulsionado pelo agro, Centro-Oeste lidera crescimento do PIB no país desde 2002, aponta FGV
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Centro-Oeste foi a região brasileira que mais cresceu em Produto Interno Bruto (PIB) neste século, segundo estudo da FGV Ibre elaborado com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2002 e 2023, a economia regional avançou, em média, 3,4% ao ano, acima da média nacional, de 2,2%.

O levantamento utilizou dados anuais do Sistema de Contas Regionais (SCR), do IBGE, referentes ao período de 2002 a 2023. As informações de 2024 em diante ainda não estão disponíveis na base oficial.

A agropecuária foi o principal motor desse crescimento. Goiás, que no início da série era o maior gerador de valor adicionado agropecuário da região, perdeu espaço para Mato Grosso, hoje responsável por cerca de metade do valor adicionado do setor no Centro-Oeste. Em 2023, a agropecuária representou 17% do PIB regional, ante 12% registrados duas décadas antes.

De acordo com o estudo, cerca de 19% do valor adicionado da agropecuária nacional entre 2002 e 2023 foi gerado no Centro-Oeste.

O avanço do agronegócio também contribuiu para desconcentrar a economia regional ao longo do período. Em 2023, o Distrito Federal permaneceu como a unidade da federação com maior participação no PIB do Centro-Oeste, com 32%, embora tenha perdido 11 pontos percentuais em relação a 2002, quando respondia por 42%. Goiás manteve participação relativamente estável, em torno de 30%.

Mato Grosso do Sul e, sobretudo, Mato Grosso ampliaram suas fatias no PIB regional. O destaque foi Mato Grosso, que aumentou sua participação em 8,6 pontos percentuais no período.

— A evolução de Mato Grosso é algo digno de nota, porque foi o estado que mais cresceu no período em termos de PIB. Mas observamos que esse crescimento foi disseminado por toda a região — destaca Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais da FGV Ibre.

O estudo também apresenta estimativas para 2024, 2025 e 2026, elaboradas com base em estatísticas conjunturais já disponíveis. Em 2024, foi observada retração no ritmo de crescimento da região, influenciada pelo baixo desempenho da agropecuária.

O setor voltou a ganhar força em 2025, impulsionado por boas safras de soja e milho, culturas de grande peso na economia regional. Para o primeiro trimestre de 2026, a estimativa é de que o PIB do Centro-Oeste tenha crescido 1,5%, abaixo dos 1,8% registrados pelo Brasil, segundo o IBGE.

Juliana Trece avalia que a previsão de ocorrência do El Niño no segundo semestre deve ser acompanhada com atenção. O fenômeno aquece as águas do Pacífico e intensifica eventos climáticos capazes de afetar as safras.

— O lado positivo é que as produções da região são muito concentradas em soja e milho. Principalmente a soja tem colheita mais concentrada no início do ano, no primeiro semestre, enquanto o El Niño deve afetar mais o segundo semestre — afirma.