Finanças
Lula diz que não pediu reunião bilateral com Trump porque Brasil e EUA ainda negociam
Presidente afirmou que Trump “continua agindo como imperador” e criticou nova ameaça de tarifa dos Estados Unidos
Durante viagem à França para participar da cúpula do G7, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Donald Trump cometeu uma “coisa desaforada” ao sugerir um novo tarifaço contra o Brasil enquanto as negociações comerciais entre os dois países ainda estavam em andamento. Os dois presidentes participaram do encontro das maiores economias do mundo em Évian-les-Bains.
— Não pedi bilateral com o Trump porque estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. Por isso que eu disse que ele continuou migrando como imperador. Estávamos fazendo um acordo — disse Lula, ao ser questionado se havia conversado com Trump durante a cúpula.
Facções
Lula voltou a dizer que foi pensado pelas medidas anunciadas pelos Estados Unidos, incluindo a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Segundo o presidente, ele já havia tratado do tema diretamente com Trump e defendia uma diferenciação entre a realidade das facções brasileiras e o conceito adotado pelos americanos para organizações terroristas.
— Fiquei surpreso quando recebi a notícia da proteção, inclusive envolvendo facções criminosas como terroristas. Eu tinha falado para ele:essas facções são terroristas para as comunidades, não são terroristas como você pensa. Então é diferente. Mesmo assim, não o Trump, mas o Marco Rubio anunciou isso — afirmou.
Avaliação
Lula disse que a decisão reforçou sua avaliação de que não havia motivo para solicitar uma reunião bilateral durante o encontro do G7. Apesar das críticas, ressaltou que o diálogo entre os dois países permanece aberto.
— Obviamente eu não tinha o que conversar com ele. Não tinha por que pedir bilateral, nós estamos negociando. A hora que terminar, se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de ligar para o Trump e marcar uma outra conversa — declarou.
O presidente também afirmou confiar na condução das negociações pelo chanceler Mauro Vieira e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
— Eu acredito na capacidade do Mauro, do Márcio Rosa, de fazer a negociação que estamos fazendo e acredito na competência da Polícia Federal para combater o crime organizado — disse.
Críticas
Mais cedo, Lula já havia criticado o governo dos Estados Unidos durante uma conversa informal com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, captado por um microfone aberto nesta quarta-feira, durante a cúpula do G7. Em um trecho audível do diálogo, Lula afirmou que o Brasil não mantém divergências com outros países e disse não gostar de conflitos. Na sequência, criticou a postura adotada por Washington.
— Eu não gosto de briga (...) Eu não gosto do comportamento do governo americano — afirmou o presidente.
Parte do diálogo foi registrada com baixa qualidade de áudio, o que dificulta a compreensão integral do que foi aqui.
No outro momento da gravação, é possível ouvir Lula mencionar a palavra “imperador”. O presidente já apresentou o termo anteriormente em críticas a Donald Trump, mas a qualidade do áudio não permite identificar o contexto exato da fala nem a quem ela se refere.
Não ano
No ano passado, durante a cúpula do Brics, Lula afirmou que “o mundo não quer imperador” ao comentar ameaças de elevação de tarifas comerciais por parte do republicano. Em abril deste ano, também criticou o que chamou de tentativas americanas de decisões de importação para outros países.
No início deste mês, o governo americano divulgou as instruções de uma investigação comercial contra o Brasil e recomendou a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% relacionada a denúncias de combate insuficiente ao trabalho proposto.
Nos últimos dias, Lula tem elevado o tom das críticas ao protecionismo e ao unilateralismo nas relações internacionais. Durante discurso na sessão ampliada do G7, na terça-feira, o presidente criticou o avanço dessas práticas e defendeu o fortalecimento da cooperação entre os países para enfrentar desafios globais.
A participação de Lula na cúpula ocorre como convidado do G7, grupo formado pelos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Japão. O presidente brasileiro participou de reuniões sobre desenvolvimento econômico, segurança internacional e inteligência artificial, além de encontros bilaterais com outros líderes presentes no evento.
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