Finanças

Lula critica uso nocivo da IA no G7 e defende Pix como infraestrutura digital pública

Presidente afirma que inteligência artificial pode aprofundar desigualdades globais e cita sistema brasileiro como exemplo de inclusão financeira

Agência O Globo - 17/06/2026
Lula critica uso nocivo da IA no G7 e defende Pix como infraestrutura digital pública
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quarta-feira (17), o uso da inteligência artificial em “práticas extremamente nefastas”, alertou para o risco de ampliação das desigualdades globais e defendeu o Pix como exemplo de infraestrutura digital pública durante a participação em uma reunião ampliada do G7.

Em discurso sobre governança, inteligência digital e artificial, Lula conquistou os avanços proporcionados pela tecnologia em áreas como indústria, saúde, segurança alimentar, energia e serviços públicos. Ao mesmo tempo, afirmou que o desenvolvimento tecnológico tem sido acompanhado por desafios que desativam a regulação e maior cooperação internacional.

— Mas há também práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pedofilia, manipulação de imagens de crianças e mulheres para pornografia, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho — disse.

O presidente citou dados sobre a concentração do mercado global de serviços digitais e argumentou que muitos países em desenvolvimento ainda participam da economia digital principalmente como fornecedores de dados, consumidores de tecnologia e exportadores de insumos estratégicos.

Ao tratar da soberania digital, Lula defendeu que os dados produzidos por cidadãos e instituições geram valor para as próprias sociedades. Segundo ele, a infraestrutura pública digital tornou-se um dos ativos mais estratégicos do século XXI.

Política pública bem-sucedida

Nesse contexto, o presidente recorreu ao Pix como exemplo de política pública bem-sucedida na área digital. Sem mencionar nominalmente o sistema de pagamentos instantâneos, Lula descreveu a ferramenta como uma das principais entregas do Estado brasileiro nos últimos anos.

— Uma de nossas maiores entregas para o cidadão brasileiro, um sistema de pagamento público e gratuito que serve como referência de como dados integrados podem promover inclusão financeira e eficiência digital — afirmou.

A referência ocorre em um momento de tensão entre Brasil e Estados Unidos. O sistema de pagamentos brasileiro foi relatado por americanas em investigação comercial aberta contra o país, que questiona aspectos de regulação digital e das autoridades ambientais de negócios brasileiras.

Regulamentação

Lula também defendeu a regulamentação das plataformas digitais e destacou medidas adotadas pelo governo brasileiro para ampliar a proteção de crianças e adolescentes na internet. Ao consolidar sua participação, voltei a apoiar que a investigação sobre inteligência artificial seja conduzida em fóruns multilaterais e sob coordenação das Nações Unidas.

Mais cedo, o presidente participou de uma reunião sobre crescimento econômico e desequilíbrios globais. Nas redes sociais, Lula afirmou ter defendido que o desenvolvimento mundial depende da ampliação de oportunidades para incluir bilhões de pessoas que ainda estão à margem do consumo e da economia.

"Não podemos olhar apenas para nós mesmos. É preciso olhar para o mundo. Há muitas regiões com enorme potencial de crescimento no continente africano, na América Latina, na Ásia. O problema é político. A solução tem que estar nas nossas decisões", publicou.

Lula ainda defendeu a ampliação dos investimentos para elevar a renda da população. "É preciso ampliar investimentos, não apenas em políticas humanitárias, mas principalmente em desenvolvimento, infraestrutura, qualificação profissional, geração de empregos. Isso gera aumento da renda e da qualidade de vida, que faz com que as pessoas aumentem seu padrão de consumo", completou.