Finanças
Lula acusa Trump de gesto “desaforado” e descarta reunião bilateral no G7
Presidente brasileiro afirmou que Brasil e Estados Unidos ainda negociam temas comerciais e voltou a criticar postura unilateral de Washington.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma “coisa desaforada” ao sugerir um novo tarifaço contra o Brasil enquanto as negociações comerciais entre os dois países ainda estavam em andamento. Os dois líderes participaram da reunião do G7, encerrada nesta quarta-feira, em Évian-les-Bains, na França.
— Não pedi bilateral com o Trump porque estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil. Por isso que eu disse que ele continuou migrando como imperador. Estávamos fazendo um acordo — disse Lula, em entrevista, ao ser questionado se havia conversado com Trump durante a cúpula.
Mais cedo, Lula já havia criticado o governo dos Estados Unidos durante uma conversa informal com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, captado por um microfone aberto durante a cúpula do G7. Em um trecho audível do diálogo, o presidente brasileiro afirmou que o país não mantém divergências com outras nações e disse não gostar de conflitos. Na sequência, criticou a postura adotada por Washington.
— Eu não gosto de briga (...) Eu não gosto do comportamento do governo americano — afirmou Lula.
Parte do diálogo foi registrada com baixa qualidade de áudio, o que dificulta a compreensão integral do que foi aqui.
No outro momento da gravação, é possível ouvir Lula mencionar a palavra “imperador”. O presidente já apresentou o termo anteriormente em críticas a Donald Trump, mas a qualidade do áudio não permite identificar o contexto exato da fala nem a quem ela se refere.
No ano passado, durante a cúpula do Brics, o petista afirmou que “o mundo não quer imperador” ao comentar ameaças de elevação de tarifas comerciais feitas pelo republicano. Em abril deste ano, também criticou o que chamou de tentativas americanas de decisões de importação para outros países.
A declaração ocorre em meio a um momento de atrito entre Brasília e Washington. No início deste mês, o governo americano divulgou as instruções de uma investigação comercial contra o Brasil e recomendou a adoção de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% relacionada a denúncias de combate insuficiente ao trabalho proposto.
Trump também participou da cúpula do G7, mas não havia previsão de encontro bilateral entre os dois presidentes durante a programação do evento. Na noite de terça-feira, Lula e o americano participaram de uma recepção oferecida aos líderes convidados e chegaram a se responder brevemente.
Nos últimos dias, Lula tem elevado o tom das críticas ao protecionismo e ao unilateralismo nas relações internacionais. Durante discurso na sessão ampliada do G7, na terça-feira, o presidente defendeu o fortalecimento da cooperação entre os países para enfrentar os desafios globais.
A participação de Lula na cúpula ocorre na condição de convidado do G7, grupo formado pelos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Canadá e Japão. O presidente brasileiro participou de reuniões sobre desenvolvimento econômico, segurança internacional e inteligência artificial, além de encontros bilaterais com outros líderes presentes no evento.
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