Finanças

Lula se reúne hoje com big techs para discutir inteligência artificial no G7

Presidente também deve participar de encontro sobre investimentos de países ricos em nações em desenvolvimento

Agência O Globo - 17/06/2026
Lula se reúne hoje com big techs para discutir inteligência artificial no G7
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Reprodução / Instagram

Em seu segundo dia de participação na cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem como principal compromisso um almoço com representantes de big techs para debater inteligência artificial. O encontro deverá contar com a presença de CEOs de empresas como Meta, Google, OpenAI e a francesa Mistral AI.

A expectativa é que os países europeus, maioria no G7, defendam uma regulação mais rígida para a inteligência artificial. Já os Estados Unidos tendem a evitar medidas que possam impor restrições ao desenvolvimento tecnológico.

Além do almoço, Lula deverá participar de uma reunião sobre investimentos de países ricos em nações em desenvolvimento. No encontro, o presidente brasileiro deve retomar pontos já abordados em seu discurso de terça-feira.

— Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas que distribui oportunidades de forma profundamente assimétrica. O mundo em desenvolvimento transfere R$ 1,4 trilhão por ano em serviço da dívida, valor sete vezes superior à ajuda recebida dos países ricos — disse Lula.

Avanço do protecionismo

Lula também criticou o avanço do protecionismo e do unilateralismo durante discurso na sessão ampliada da cúpula do G7. Sem citar diretamente os Estados Unidos ou o presidente Donald Trump, o presidente brasileiro afirmou que essas práticas ressurgem como "respostas falaciosas" para problemas complexos da economia global e defendeu o fortalecimento da cooperação internacional.

A participação de Lula ocorreu em meio às negociações comerciais entre Brasília e Washington. No início deste mês, o governo americano divulgou as instruções de uma investigação comercial que recomendava a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% relacionada a alegações de combate insuficiente ao trabalho proposto.

Em outro momento, Lula defendeu o combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. Diante de Trump, o brasileiro afirmou ainda que o enfrentamento ao crime deve considerar o respeito à soberania dos Estados. A declaração apresentada após os Estados Unidos foi classificada em 28 de maio como facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas.

Fraudes fiscais

Lula denunciou ao governo dos Estados Unidos que criminosos envolvidos em fraudes fiscais no Brasil utilizam o estado americano de Delaware para lavagem de dinheiro.

— O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos, como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos limitados a essas atividades criminosas — afirmou Lula, em seu discurso no encontro do G7, em Évian-les-Bains, na França.