Finanças

Lula se reúne com presidente da Suíça e discute minerais críticos e inteligência artificial

Presidente também deve abordar tarifas dos EUA no G7 e tem encontros previstos com Macron e Sanae Takaichi

Agência O Globo - 15/06/2026
Lula se reúne com presidente da Suíça e discute minerais críticos e inteligência artificial
Lula - Foto: © ANSA/EPA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou na manhã desta segunda-feira (15) à cúpula do G7 e se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin.

Nas redes sociais, Lula destacou a importância da relação econômica entre os dois países e afirmou que Brasil e Suíça pretendem ampliar a cooperação em áreas estratégicas.

“A Suíça é uma das principais fontes de investimento direto no Brasil. Ao discutirmos o comércio bilateral, nos comprometemos a trabalhar para a diversificação da agenda de exportações. O presidente Parmelin e eu concordamos que o Acordo Mercosul-EFTA representa uma oportunidade para expandir o comércio bilateral em um contexto global de crescente protecionismo e unilateralismo. Ainda no âmbito bilateral, decidimos ampliar a cooperação em áreas como inteligência artificial, transição energética, minerais críticos, biotecnologia, saúde e defesa, entre outras”, escreveu Lula.

Lula pretende usar sua participação na cúpula do G7, na terça e na quarta-feira, em Évian-les-Bains, para reforçar críticas à possibilidade de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo integrantes do governo, não houve pedido para uma reunião reservada com o presidente americano, Donald Trump, e não há agenda oficial entre os dois prevista até o momento. Isso, porém, não impede que os líderes tenham uma conversa informal à margem do encontro, como ocorreu na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado, episódio que abriu caminho para uma relação mais direta entre os dois presidentes.

Lula anunciou sua ida ao G7 um dia após a divulgação das conclusões de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que sugeriu a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Embora o Brasil não integre o grupo das maiores economias do mundo, foi convidado pelos anfitriões franceses a participar da cúpula e vinha mantendo em aberto a possibilidade de comparecer ao evento.

Conversa informal pode ser caminho

Auxiliares de Lula avaliam que não haveria ganho político em buscar uma reunião formal neste momento, apesar das recentes iniciativas da Casa Branca envolvendo o Brasil. Uma conversa informal, no entanto, é vista como possível caminho para tentar obter um recuo dos americanos.

O presidente brasileiro já tem encontros previstos com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos estudam impor uma taxa adicional de 12,5% a cerca de 60 países, entre eles o Brasil, sob a alegação de falhas relacionadas ao combate ao trabalho forçado. Também causaram desconforto no governo brasileiro a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, além da recepção dada por Trump ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca.

Entre as medidas adotadas pelos Estados Unidos, integrantes do governo consideram que a única com possibilidade de revisão no curto prazo é a proposta de sobretaxa de 25%. O tema já vem sendo tratado por um grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Trump, em 7 de maio.

Na avaliação do Planalto, não faria sentido levar a discussão diretamente aos presidentes enquanto existe um canal institucional aberto entre integrantes do alto escalão dos dois países.

No sábado, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, participou de uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. De acordo com o ministério, uma nova rodada técnica de negociações deverá ocorrer nos próximos dias.

Mesmo sem um encontro direto entre os dois presidentes, Lula deve abordar o tema das tarifas em sua intervenção na cúpula. A pauta da terça-feira será dedicada aos desequilíbrios macroeconômicos globais, espaço que o presidente pretende utilizar para criticar o unilateralismo e o que considera um enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na última quinta-feira, Lula afirmou que Trump “não foi eleito para ser imperador do mundo”. No G7, contudo, auxiliares esperam que o presidente brasileiro adote um tom mais diplomático, compatível com o ambiente do encontro.