Finanças

Lula chega ao G7 e se reúne com presidente da Suíça para discutir minerais críticos e inteligência artificial

Presidente também tem encontros previstos com Emmanuel Macron e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi

Agência O Globo - 15/06/2026
Lula chega ao G7 e se reúne com presidente da Suíça para discutir minerais críticos e inteligência artificial
Lula - Foto: ANSA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou na manhã desta segunda-feira à cúpula do G7 e se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin.

Nas redes sociais, Lula destacou que a Suíça está entre as principais fontes de investimento direto no Brasil e afirmou que os dois países pretendem ampliar a agenda de cooperação.

“A Suíça é uma das principais fontes de investimento direto no Brasil. Ao discutirmos o comércio bilateral, nos comprometemos a trabalhar para a diversificação da agenda de exportações. O presidente Parmelin e a eu concordamos que o Acordo Mercosul-EFTA representa uma oportunidade para expandir o comércio bilateral em um contexto global de crescente protecionismo e unilateralismo.

Lula pretende usar sua participação na cúpula do G7, na terça e na quarta-feira, em Évian-les-Bains, para fortalecer as críticas à possibilidade de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo membros do governo, não houve pedido para uma reunião reservada com o presidente americano, e não há agenda oficial entre os dois previstos até o momento. Isso, porém, não impede que os líderes tenham uma conversa informal à margem do encontro, como ocorreu na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado, ocasião que abriu espaço para uma relação mais direta entre os dois presidentes.

Lula anunciou sua ida ao G7 um dia após a divulgação das instruções de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que sugeriu a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Embora o Brasil não faça parte do grupo das maiores economias do mundo, foi convidado pelos anfitriões franceses a participar da cúpula e veio deixando em aberto a possibilidade de comparecer ao evento.

Conversa informal pode ser caminho

Auxiliares de Lula avaliam que não teriam ganho político ao buscar uma reunião formal neste momento, apesar das recentes iniciativas da Casa Branca envolvidas no Brasil. Uma conversa informal, no entanto, é vista como possível caminho para tentar obter um recuo dos americanos. O presidente brasileiro já tem encontros previstos com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos estudam impor uma taxa adicional de 12,5% para cerca de 60 países, entre eles o Brasil, sob a alegação de falhas relacionadas ao combate ao trabalho imposto. Também causaram desconforto no governo brasileiro a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e a recepção dada por Trump ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca.

Entre as medidas adotadas pelos Estados Unidos, os membros do governo compartilham que a única possibilidade de revisão no curto prazo é a proposta de sobretaxa de 25%. O tema já vem sendo tratado por um grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Trump, em 7 de maio. Na avaliação do Planalto, não faria sentido levar a discussão diretamente aos presidentes enquanto existe um canal institucional aberto entre membros do alto escalonamento dos dois países.

No sábado, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, participou de uma reunião virtual com o representante do Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. De acordo com o ministério, uma nova rodada técnica de negociações deverá ocorrer nos próximos dias.

Mesmo sem um encontro direto entre os dois presidentes, Lula deve abordar o tema das tarifas em sua intervenção na cúpula. A pauta de terça-feira será dedicada aos desequilíbrios macroeconômicos globais, espaço que o presidente pretende utilizar para criticar o unilateralismo e o que considera um enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Na última quinta-feira, Lula afirmou que Trump “não foi eleito para ser imperador do mundo”. No G7, contudo, a expectativa de auxiliares é que o presidente brasileiro adote um discurso mais diplomático, compatível com o ambiente do encontro.